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sábado, março 7, 2026

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COP 30: décimo dia debate agricultura, segurança alimentar e liderança feminina

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Lucas Quirino/DOL – O décimo dia da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), nesta quarta-feira, 19 de novembro, será marcado por debates centrais para o futuro da ação climática, com foco em agricultura, sistemas alimentares, segurança alimentar, pesca, agricultura familiar, mulheres, gênero e turismo sustentável. Uma série de eventos ministeriais e de alto nível pretende apresentar iniciativas, protocolos e parcerias voltadas a acelerar a implementação de soluções concretas em territórios urbanos, rurais e tradicionais.

Logo pela manhã, a atenção se volta ao evento “Women: voices that guide the future”, organizado pela primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, enviada especial da COP30 para Mulheres. O encontro é resultado de uma extensa jornada de escuta realizada por Janja em diferentes biomas do Brasil, onde mulheres relataram desafios e apresentaram soluções locais frente à crise climática. A atividade reúne lideranças femininas de diferentes regiões e setores, destacando o protagonismo das mulheres nas negociações climáticas, na formulação de políticas públicas e na condução de iniciativas comunitárias. A discussão contará também com as enviadas especiais Jurema Werneck (Igualdade Racial e Periferias) e Denise Dora (Direitos Humanos e Transição Justa).

Ainda no campo de gênero, outro momento relevante será o evento “Integrating Women in the Fight Against the Climate Crisis and in Building Resilient Societies”, organizado pelo Ministério das Mulheres, MIDR, MMA, ONU Mulheres, CAF e UNDRR. O Brasil apresentará o Protocolo para Promoção da Liderança de Meninas e Mulheres em Emergências e Desastres Climáticos, uma contribuição chave para a Agenda de Ação da COP 30 e para o Plano de Aceleração de Soluções (PAS). A sessão deve reforçar a importância de uma governança climática mais inclusiva e sensível às questões de gênero, especialmente diante de eventos extremos.

No eixo agrícola, o dia será marcado pelo lançamento da iniciativa RAIZ – Resilient Agriculture Investment for Net-Zero Land Degradation, apresentada em um evento ministerial. A proposta consiste em um grande “mutirão” global para acelerar investimentos em agricultura resiliente e restaurar terras degradadas, um dos maiores desafios ambientais e socioeconômicos da atualidade. Com mais de 30% das terras agrícolas do mundo degradadas, a restauração é fundamental para cumprir compromissos das Convenções do Rio e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O RAIZ será conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, em parceria com a FAO, a Parceria FAST e a Food and Land Use Coalition, reunindo governos, investidores, organizações internacionais e iniciativas já existentes para destravar financiamentos de larga escala voltados à restauração, segurança alimentar e benefícios climáticos.

Outro ponto importante da agenda é o evento de alto nível “Scaling Up Practical Solutions for Resilient Agri-Food Systems”, organizado pela FAST Partnership e pela Climate and Clean Air Coalition (CCAC). A sessão pretende mostrar soluções práticas para reduzir poluentes superpotentes na agricultura, recuperar áreas degradadas e ampliar o acesso de agricultores, povos indígenas e comunidades locais a financiamentos climáticos. Entre as novidades previstas estão análises sobre financiamento climático global, lançamento do programa de Agricultura da CCAC com foco em fertilizantes e novas parcerias técnicas envolvendo bancos e agências multilaterais.

Temas como pesca, agricultura familiar e acesso a financiamento para pequenos produtores atravessam a programação ao longo do dia, reforçando a necessidade de apoiar quem está na linha de frente da produção de alimentos e da gestão sustentável dos territórios.

Encerrando a programação, o evento de alto nível “Accelerating Implementation”, no plenário Tocantins, vai reunir os principais anúncios e mensagens das duas semanas da Agenda de Ação Climática Global (GCA). Organizado pelas presidências da COP29 e COP30, pelos Campeões de Alto Nível e pela UNFCCC, o encontro reforça o chamado para transformar compromissos em entrega real, valorizando soluções que já estão sendo implementadas por cidades, empresas, povos indígenas, juventudes e comunidades tradicionais.

Com temas que vão da agricultura ao gênero, passando pela pesca, turismo e segurança alimentar, o décimo dia da COP30 deve reforçar uma mensagem central: a transição climática justa depende da ação de quem vive e transforma os territórios — mulheres, pequenos agricultores, povos indígenas e comunidades locais que já estão apontando caminhos para um futuro mais resiliente.

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