O chamado “clube de bairro” que silenciou o Maracanã tem nome e história: Club Atlético Lanús. Fundado em 1915, na zona sul da Grande Buenos Aires, o time argentino escreveu mais um capítulo épico ao conquistar, pela primeira vez, a Recopa Sul-Americana.
Diante de um Flamengo bilionário e acostumado a decisões continentais, o Lanús mostrou personalidade. Depois de vencer o jogo de ida por 1 a 0, foi ao Maracanã e ganhou por 3 a 2 na prorrogação, em uma noite dramática e histórica. Um roteiro digno de cinema para o clube que se orgulha de se autodenominar “o maior clube de bairro do mundo”.
Um gigante que nasceu pequeno
A cidade de Lanús tem cerca de 462 mil habitantes e é uma das menores da região metropolitana de Buenos Aires — também uma das mais densamente povoadas. Foi ali que moradores da região fundaram o clube, que ao longo do século XX viveu rebaixamentos, crises financeiras e reconstruções.
A virada de chave começou nos anos 2000. Sob o comando de Ramón Cabrero, com Luis Zubeldía como auxiliar, o Lanús foi vice-campeão do Torneio Clausura de 2006. Em 2007, surpreendeu a Argentina ao conquistar seu primeiro Campeonato Argentino, superando o poderoso Boca Juniors em plena La Bombonera.
A fórmula: base forte e gestão eficiente
Sem o mesmo poder financeiro de gigantes como Flamengo ou River Plate, o Lanús apostou em planejamento e categorias de base. Revelou talentos, equilibrou as contas e passou a competir de igual para igual no cenário continental.
O primeiro título internacional veio em 1996, com a Copa Conmebol, sobre o Independiente Santa Fe. Depois, levantou a Copa Sul-Americana em 2013, batendo a Ponte Preta na final e eliminando o River Plate no caminho. Voltou a conquistar o torneio em 2025, desta vez superando o Atlético Mineiro.
Ainda acumulou campanhas marcantes: vice da Libertadores de 2017 (derrota para o Grêmio), vice da Recopa Sul-Americana de 2014 e vice da Sul-Americana de 2020, quando perdeu para o Defensa y Justicia.
O “clube de bairro” que virou pesadelo dos gigantes
Com orçamento modesto, mas identidade forte, o Lanús construiu uma trajetória baseada em organização, formação de atletas e competitividade. Não tem a torcida mais numerosa da Argentina, nem os maiores patrocínios, mas tem um projeto sólido.
E foi assim que o clube nascido em um bairro operário da Grande Buenos Aires atravessou fronteiras, encarou um dos elencos mais caros da América do Sul e calou o Maracanã.
O post Clube de bairro, campeão no Maraca: Lanús cala o Flamengo e faz história apareceu primeiro em Diário do Pará.


