O jornalismo esportivo paraense entrou em campo, na noite desta segunda-feira (23), para discutir seus próprios desafios. O auditório do Grupo RBA recebeu mais uma edição do “Bate-Bola”, promovido pelo Troféu Camisa 13, com o tema “Jornalismo esportivo: uma nova linguagem entre gerações”.
O encontro reuniu profissionais da comunicação, estudantes e apaixonados por futebol em uma noite marcada por análises, interação com o público e reflexões sobre as transformações da cobertura esportiva.
Apresentado pela jornalista Paula Marrocos, o debate estimulou a troca de experiências entre convidados e plateia, reforçando o caráter participativo da proposta.
Idealizador do projeto, Zaire Filho destacou que o objetivo vai além da premiação anual. “O Troféu Camisa 13 não é apenas uma premiação. É um movimento de valorização do esporte e de quem constrói diariamente essa narrativa”, afirmou. Segundo ele, discutir linguagem e responsabilidade profissional é essencial diante das transformações tecnológicas. “A linguagem muda, as plataformas evoluem, mas a responsabilidade do jornalista continua a mesma.”
Entre os convidados estavam os jornalistas Rodolfo Marques, Gerson Nogueira e Lucas Quirino, que compartilharam experiências acumuladas ao longo de décadas na cobertura esportiva.
Com cinco décadas dedicadas ao esporte, Gerson Nogueira ressaltou que a evolução da linguagem acompanha as mudanças tecnológicas, mas não altera os fundamentos da profissão. “Hoje você tem uma linguagem muito mais objetiva e instantânea, com as plataformas digitais. Mas as regras do bom jornalismo não mudaram: informação, pesquisa e checagem continuam sendo essenciais”, afirmou.
O cronista esportivo e especialista em mídia, Rodolfo Marques destacou que a discussão também envolve a forma como o público consome esporte em 2026. “Hoje se consome transmissão esportiva com o celular na mão, interagindo, gravando, comentando. Antes, era algo muito mais centralizado no rádio e depois na televisão. O desafio é integrar essa nova dinâmica sem perder qualidade”, pontuou. Para ele, o encontro contribui para elevar o nível da produção esportiva e estimular debates substantivos sobre a crônica e o futebol paraense.
Representando a geração mais jovem, Lucas Quirino, jornalista esportivo do Diário on line (DOL), enfatizou que o jornalismo digital trouxe agilidade, mas ampliou os desafios. “O jornalismo esportivo hoje é muito focado na velocidade da informação. Ela surge de várias formas na internet, nas redes sociais e nos aplicativos de mensagem. Mas não podemos perder a checagem. O nosso grande desafio é aliar o imediatismo da internet aos princípios do jornalismo”, destacou.
Durante o debate, ficou evidente o contraste entre a geração formada no rádio tradicional e os profissionais que já ingressaram no mercado dominando plataformas digitais. O consenso foi de que a tecnologia ampliou o alcance da cobertura esportiva, mas também aumentou a responsabilidade dos comunicadores.
Na plateia, a estudante Maria Ribas, de 17 anos, estudante de Publicidade e Propaganda, acompanhou atentamente o debate. Maria destacou que o diálogo entre gerações chamou sua atenção. “É interessante ver duas gerações distintas. Tem a mais antiga, com outra vivência, e a mais nova, que já trabalha muito com redes sociais. Eu gosto de acompanhar notícias pelo Instagram e pelo TikTok. Acho que nós, mais jovens, podemos aprimorar essa área das redes sociais e contribuir com novas linguagens”, disse.
O “Bate-Bola” integra a programação do Troféu Camisa 13, que terá sua cerimônia de premiação no dia 10 de março, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará. A iniciativa reconhece os destaques do futebol paraense e reforça a conexão entre imprensa, clubes e torcedores.
Ao promover o diálogo entre gerações e estimular a reflexão sobre linguagem, atualização e compromisso com a informação, o encontro reafirmou o papel do jornalismo esportivo como mediador das paixões que movem o futebol dentro e fora do campo.
Texto de Luiz Augusto Andrade
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