Em um movimento estratégico para colocar a ciência, a inovação e a bioeconomia no centro das discussões climáticas globais, os governadores do Pará, Helder Barbalho, e da Califórnia, Gavin Newsom, formalizaram na manhã desta segunda-feira uma parceria bilateral robusta. O encontro ocorreu no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, localizado no Complexo Porto Futuro, em Belém.
O evento serviu para reforçar o diálogo entre o recém-lançado Vale BioAmazônico do Pará e o mundialmente conhecido Vale do Silício.
Conectando moléculas e chips
O governador Helder Barbalho apresentou o conceito e os investimentos do Vale Bioamazônico de Tecnologia, que visa conectar a agenda da biodiversidade amazônica com a inovação, o conhecimento e a tecnologia.
Segundo Barbalho, foi firmado um Memorando de Entendimento entre os dois estados, permitindo que as equipes trabalhem juntas para viabilizar intercâmbios entre as universidades da Califórnia e conectar stakeholders, financiadores e apoiadores de projetos do Vale do Silício à Amazônia. O objetivo é transformar a biodiversidade em bioeconomia, acreditando na revolução que a floresta pode representar para a região.
“Lá atrás foram os chips que geraram uma revolução. Agora são as moléculas, são as plantas, são as raízes da floresta”, afirmou Barbalho.
O governador do Pará destacou que a parceria é uma oportunidade para aproveitar que “o mundo está aqui” (durante a conferência) para alavancar financiamento climático e apoio tecnológico, garantindo a agenda do estado de criar valor para a floresta viva.
Califórnia: parceria estável e otimista
O governador Gavin Newsom expressou sua gratidão pelo acolhimento, destacando a importância da parceria entre os dois estados e nações. Ele ressaltou que a Califórnia é um “parceiro estável” que acredita em um crescimento verde e de baixo carbono.
Newsom demonstrou grande otimismo após a visita, enxergando a oportunidade de usar a Amazônia como uma plataforma para o empreendedorismo e a inovação. Ele comparou a colaboração entre universidades, pequenas empresas e comunidades indígenas que está se formando no Pará ao ecossistema desenvolvido em torno do Vale do Silício, chamando essa sinergia de “o ingrediente secreto” (secret sauce) da inovação.
“Nós com a liderança do conhecimento da tecnologia dos chips, nós [Pará] com a liderança da ancestralidade que traz o conhecimento e com a riqueza da biodiversidade”, complementou Barbalho. Newsom, por sua vez, reforçou que a Califórnia, sendo o celeiro dos Estados Unidos e a quarta maior economia do mundo, tem um estado de espírito empreendedor e é um parceiro confiável.
O governador californiano fez questão de frisar que, embora a liderança de Washington D.C. não estivesse presente, Donald Trump “não representa” o estado da Califórnia em relação ao meio ambiente e à energia limpa. Newsom sublinhou o contraste entre a postura negacionista e a realidade de seu estado, que cresce economicamente enquanto reduz emissões de gases de efeito estufa e tem sete vezes mais empregos em tecnologia verde do que em combustíveis fósseis.
Foco conjunto no combate a incêndios
Além da conexão tecnológica e de bioeconomia, os dois estados firmaram uma forte parceria na agenda de combate a incêndios.
Dada a experiência da Califórnia com incêndios florestais e o maior nível de focos de queimada registrado na Amazônia no ano passado — apesar da redução de 85% neste ano —, a conexão das estratégias de combate de ambos os estados é considerada crucial para preservar a natureza.
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