Em entrevista concedida à BBC News Brasil, Schneider não economizou nas palavras de apreço pela cidade anfitriã da conferência. O ministro descreveu Belém como “uma cidade ótima”, frisando o acolhimento que recebeu desde a chegada.
“É o melhor lugar para a COP. Nós estamos na cidade, e é a cidade da Amazônia. Eu não consigo imaginar um lugar melhor”, afirmou, ressaltando a energia humana e o caráter social que, segundo ele, marcam o cotidiano local.
A fala contrasta diretamente com a polêmica gerada pelo discurso de Merz no Congresso Alemão do Comércio, quando ironizou o Brasil — e especialmente Belém — ao sugerir que nenhum dos jornalistas que o acompanhavam gostaria de permanecer no país. A repercussão foi imediata: o prefeito de Belém, Igor Normando, classificou as declarações como “infelizes, arrogantes e preconceituosas”. O gabinete do primeiro-ministro tentou minimizar o impacto, ressaltando o “respeito” de Merz pelo Brasil e sua “pequena impressão” da Amazônia após um passeio pelo rio Guajará.
Mas foi Schneider quem assumiu, na prática, o papel de bombeiro da crise. Desde o fim de semana, o ministro tem multiplicado gestos diplomáticos, elogiando a organização da COP30, a recepção brasileira e a paisagem amazônica. Em nova declaração, ampliou o tom elogioso ao comentar sua experiência culinária em Belém. “Não sei o nome, mas com vegetais que eu não conheci antes… e com o ‘chiquinho’”, brincou, referindo-se ao sorvete regional. “E eu tive um açaí… e um peixe. Não sei o tipo de peixe, mas foi ótimo.”
A tentativa de reaproximação não passou despercebida na Alemanha. A revista Stern destacou que Schneider vem “derramando elogios” à cidade desde sábado (15), numa movimentação interpretada como esforço para reparar a imagem do governo alemão em território brasileiro — e acalmar a tensão provocada pelas falas do chanceler.
Nas redes sociais, o ministro reforçou o gesto diplomático ao publicar, em português, uma homenagem ao país: “Brasil é um país maravilhoso, com um povo acolhedor e bom anfitrião.” Ele lamentou não poder permanecer mais tempo após a COP e chegou a sugerir: “Teria algumas ideias, por exemplo, pescar com meus amigos da Amazônia.”