Júlia Marques/DOL – O lançamento da iniciativa RAIZ, da FAO, movimentou a Blue Zone da COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, na manhã desta quarta-feira (19), em Belém. No evento, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, defendeu que o Brasil entrou em um novo ciclo agrícola, baseado na recuperação de áreas produtivas e na ampliação do crédito verde.
Durante o discurso, Fávaro afirmou que a transformação do campo brasileiro nas últimas cinco décadas, que levou o país da insegurança alimentar à condição de grande produtor mundial, é resultado direto da ciência. Ele destacou o papel da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada há 52 anos e hoje com 43 centros de pesquisa, como responsável pela consolidação da agricultura tropical. “Isso não é coincidência. É planejamento e investimento público contínuo”, disse ele.
Segundo o ministro, o modelo que impulsionou o agronegócio até aqui não garante o futuro dele. Ele citou estudos da Embrapa que identificam milhões de hectares em estágio de degradação com potencial de recuperação, além de apontar a restauração produtiva como estratégia central para aumentar a oferta de alimentos sem pressionar biomas sensíveis.
Desde 2023, o governo destinou mais de R$50 bilhões a linhas de crédito específicas para recuperação de pastagens e intensificação da produção, via Plano Safra e Eco Invest. Os financiamentos oferecem juros reduzidos e longo prazo, mas exigem contrapartidas ambientais: produtores que aderirem ao crédito ficam proibidos de desmatar por 10 anos, mesmo quando a legislação permitir. “O crescimento precisa ocorrer dentro das áreas já antropizadas”, afirmou o ministro.
Fávaro disse que o programa já apresenta resultados, com mais de três milhões de hectares reincorporados ao setor produtivo e projeção de safra recorde em 2025, estimada em mais de 350 milhões de toneladas de grãos.
Ele aproveitou o evento para reforçar a busca por capital internacional. O ministro classificou o chamado “Caminho Verde Brasil” como uma alternativa segura aos investidores, ressaltando que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atua como garantidor dos aportes e que os produtores brasileiros têm histórico de cumprimento de contratos. “Não se trata de doação. É investimento com rentabilidade garantida”, destacou.
Ao encerrar, Fávaro afirmou que o modelo brasileiro, baseado em ciência, recuperação de áreas e financiamento sustentável, pode ser replicado por países que ainda dispõem de florestas e biomas preservados. “É possível ampliar a produção e proteger o meio ambiente ao mesmo tempo”, concluiu o ministro.
O post Ministro Carlos Fávaro defende crédito verde e intensificação agrícola na COP30 apareceu primeiro em RBA NA COP.


