Lucas Contente/DOL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu, nesta sexta-feira (7), a Sessão Temática sobre os 10 anos do Acordo de Paris, durante a Cúpula dos Líderes — evento que antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém, a partir desta segunda-feira (10).
Em seu discurso, Lula destacou a importância de repensar o modelo econômico global e defendeu uma “transição justa”, que ofereça oportunidades ao Sul Global e cobre responsabilidades históricas dos países mais ricos.
“Podemos avançar rumo ao futuro sem abrir mão de cobrar daqueles que mais se beneficiaram historicamente das emissões que assumam suas responsabilidades”, afirmou o presidente.
Lula citou o geógrafo brasileiro Josué de Castro, que já em 1972, durante a primeira Conferência do Meio Ambiente, em Estocolmo, na Suécia, destacou a diferença entre crescer e se desenvolver. Segundo ele, o crescimento econômico não pode ocorrer às custas da desigualdade e da destruição ambiental.
O presidente afirmou que as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — compromissos de cada país para reduzir emissões — são fundamentais para alcançar o desenvolvimento sustentável. Ele destacou que, apesar de avanços, o mundo ainda está distante de limitar o aquecimento global a 1,5°C, meta prevista no Acordo de Paris.
“Cem países, que representam quase 73% das emissões globais, apresentaram suas NDCs, mas o planeta ainda caminha para um aquecimento de cerca de 2,5°C”, disse.
Lula também reforçou o papel do Brasil na agenda climática global e afirmou que Belém será o palco para a renovação dos compromissos internacionais.
“No que depender do Brasil, Belém será o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris. Isso significa não apenas implementar o que já foi acordado, mas também adotar medidas adicionais, capazes de preencher a lacuna entre a retórica e a realidade”, declarou.
Entre as propostas apresentadas, o presidente defendeu o fortalecimento dos mecanismos de financiamento climático e criticou o atual modelo, que, segundo ele, transfere custos aos países mais pobres.
“Hoje, apenas uma pequena parcela do financiamento climático chega ao mundo em desenvolvimento. A maioria dos recursos ainda é oferecida como empréstimos. Isso não faz sentido ético ou prático”, afirmou. A maior parte da riqueza mundial gerada nas últimas quatro décadas foi apropriada por indivíduos e grandes empresas, enquanto os orçamentos nacionais encolheram. Um único indivíduo pertencente ao 1% mais rico do planeta emite, em um dia, mais carbono do que os 50% mais pobres da população mundial durante todo o ano. É legítimo exigir dessas pessoas uma contribuição maior. O imposto mínimo sobre corporações multinacionais e a tributação do patrimônio dos super-ricos podem gerar recursos valiosos para a ação climática. Os mercados de carbono podem se tornar importantes fontes de receita pública, mas só ganharão escala se os países avançarem em direção a parâmetros comuns. Esse é o objetivo da coalizão aberta de mercados regulados de carbono, lançada pelo Brasil, pela China e pela União Europeia”, completou o presidente.
FINANCIAMENTO CLIMÁTICO
Lula mencionou o “Mapa do Caminho de Belém”, que propõe alternativas para alcançar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático. Ele também sugeriu novas formas de arrecadação, como a taxação de grandes fortunas e de multinacionais, além da expansão dos mercados regulados de carbono — uma iniciativa já articulada entre Brasil, China e União Europeia.
O presidente encerrou o discurso propondo a criação de um Conselho Global do Clima, órgão que, segundo ele, daria “a estatura política que a agenda climática merece”, fortalecendo a cooperação internacional e a implementação efetiva dos compromissos ambientais.
O post Lula defende transição justa e propõe Conselho Global do Clima apareceu primeiro em RBA NA COP.


