Brenda Hayashi/DOL – Logo no início da manhã desta quarta-feira (19), a Blue Zone voltou a mostrar porque é considerada o espaço mais diverso e politicamente pulsante da COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em Belém. No local, onde chefes de Estado, delegações, cientistas, organizações civis e povos tradicionais compartilham o mesmo território diplomático, há também lugar para manifestações pacíficas, e elas aparecem com força quando a sociedade civil decide ocupar o centro do debate.
Um grupo formado por ativistas latino-americanos se reuniu em frente a um dos corredores mais movimentados da área de negociações para denunciar a expansão do gás fóssil no continente e cobrar urgência na implementação de mecanismos reais de adaptação climática.
Entre vozes ritmadas e cartazes, os manifestantes gritavam palavras de ordem e liam um discurso conjunto que criticava a dependência do gás, exigindo por transição justa.
Diante de faixas abertas no chão e bandeiras erguidas, o grupo denunciava o avanço de projetos de gás natural. Segundo eles, tudo trata-se de uma “narrativa enganosa” que ameaça comunidades inteiras.
Em um dos discursos centrais, eles afirmaram: “A sociedade é uma espécie de fonte latino-americana, e não podemos continuar colocando em risco a vida de nossas famílias, de nossos ecossistemas e a qualidade de vida das próximas gerações. Sabemos que essa narrativa é enganosa e que sua expansão pelo território pode prejudicar ainda mais as nossas realidades locais. É uma armadilha que continua se prolongando nesse modelo, aprofunda o bloqueio energético e viola os direitos das pessoas que estão hoje na linha de frente da crise climática.”
O grupo pediu que os países presentes na COP30 acelerem o financiamento para adaptação e que adotem políticas alinhadas às demandas do Sul Global. Eles reforçaram: “Precisamos de uma agenda latino-americana que aposte na pesquisa, na inovação, no financiamento solidário e no intercâmbio de conhecimentos. Uma agenda que coloque o bem-estar coletivo no centro, porque a nossa transição será justa e livre de gás, ou não será”.
O encerramento do ato foi marcado por gritos unificados pelos corredores: “Viva a África! Viva a América Central! Viva a história! Viva Moscou! Obrigado!”
Cartazes exibidos na manifestação
No chão e nas mãos dos participantes, diversas faixas reforçavam a mensagem política do ato. Entre elas:
- DON’T GAS THE SOUTH — Não envenenem o Sul / Não ao gás no Sul Global
- DON’T GAS AFRICA — Não ao gás na África
- DON’T GAS LATIN AMERICA — Não ao gás na América Latina
- DON’T GAS ASIA — Não ao gás na Ásia
- GAS IS NOT A TRANSITION FUEL — Gás não é um combustível de transição
- Bandeiras da Climate Action Network, Asian Energy Network, NAPM, e movimentos latino-americanos como o Tratado de Cooperação Energética.
Contexto da COP30
A manifestação ocorre em um dos dias mais sensíveis da segunda semana da COP30, quando negociadores tentam avançar em acordos sobre financiamento climático, mitigação e adaptação. Com decisões previstas para serem finalizadas até sexta-feira (21), movimentos sociais pressionam para que o texto final condene o uso de combustíveis fósseis, incluindo o gás natural, frequentemente apresentado como “menos poluente”.
Enquanto isso, chefes de Estado e representantes de organismos internacionais seguem reunidos lado a lado com a sociedade civil, que ocupa com força os espaços da conferência e busca garantir que nenhuma voz seja ignorada.
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