Andressa Ferreira/DOL – A COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que acontece em Belém, coloca o mundo para conversar sobre como cuidar melhor do planeta — e um dos debates mais importantes é sobre justiça climática. Esse tema fala sobre garantir que todas as pessoas, especialmente as mais jovens, possam viver em um ambiente saudável, seguro e com oportunidades iguais, independentemente de onde moram. Afinal, são as crianças e adolescentes de hoje que vão viver o futuro que está sendo decidido agora.
Para Tainá Rauber, Engenheira Ambiental, especialista em auditoria, perícia e consultoria ambiental e especialista em engenharia de produção, a justiça climática deve ser explicada como uma maneira de cuidar da Terra de forma justa e simples, garantindo que todas as pessoas tenham as mesmas chances de viver bem, mesmo quando o clima muda.
“Algumas comunidades sofrem mais com enchentes, secas ou queimadas porque têm menos recursos e a justiça climática é sobre ajudar quem mais precisa e proteger a natureza para todos. Em vez de assustar, o ideal é inspirar o sentimento de cooperação e cuidado. As crianças aprendem melhor quando entendem que podem fazer parte da solução: plantar árvores, economizar água, separar o lixo, cuidar dos animais e respeitar a natureza. A ideia é ensinar com esperança, não com medo, mostrando que pequenas atitudes fazem uma diferença enorme”, aponta ela.
Quando se fala em justiça climática, a mensagem é clara: os impactos das mudanças do clima — como calor extremo, enchentes ou seca — não atingem todas as pessoas da mesma forma, seja por falta de estrutura, de informação ou até de recursos. Por isso, os debates da COP30 reforçam que governos e empresas precisam agir pensando em quem é mais vulnerável, incluindo crianças, adolescentes e jovens.
“O futuro é delas e elas já estão vivendo as consequências das escolhas feitas pelas gerações anteriores. Incluir crianças e adolescentes nas discussões sobre o clima estimula o senso de pertencimento e responsabilidade. Eles passam a entender que tem voz e podem participar das soluções, seja em projetos escolares, campanhas de conscientização ou decisões comunitárias”, destaca Tainá Rauber, reforçando a importânia de incluir as futuras gerações nas discussões sobre o planeta.
Para a Engenheira Ambiental, o segredo para despertar o interesse das crianças e dos mais jovens pelo meio ambiente está em transformar o aprendizado em prática.
“Crianças aprendem melhor fazendo: cuidando de uma horta, participando de mutirões de limpeza, observando aves, reutilizando materiais, fazendo visitas técnicas em empresas e cooperativas, ou criando pequenas campanhas ecológicas na escola. Essas vivências despertam orgulho e pertencimento, o que torna o comportamento sustentável algo natural e contínuo. E atrás dessas práticas elas podem estimular dentro da suas casa, com suas famílias e amigos”, destaca Tainá.
O futuro construído por quem vai viver nele
Muitos, inclusive, já estão fazendo parte das soluções. Em vários países, estudantes lideram campanhas de reciclagem, proteção de rios, redução de desperdício e uso responsável da energia. Na COP30, representantes jovens também participam das discussões, lembrando que o futuro precisa ser construído com a participação de quem vai viver nele. Escolas e famílias também são referências de comportamento e valores.
“Quando uma criança vê um adulto separando o lixo, evitando desperdícios ou respeitando os animais, ela aprende pelo exemplo. A escola tem o papel de transformar curiosidade em conhecimento, explicando de forma simples como a natureza funciona e como nossas ações impactam o planeta, como podemos usá-las para proteger e mitigar os danos já causados”, sinaliza a especialista.
O poder das novas gerações na justiça climática
A boa notícia é que a justiça climática também fala sobre oportunidades. Uma transição para energia limpa, transportes mais eficientes e cidades mais verdes pode gerar empregos, melhorar a saúde e permitir que as crianças e jovens cresçam em ambientes mais seguros, com planejamento e ações concretas de políticas públicas mais justas e sustentáveis. Belém, por estar no coração da Amazônia, traz ainda outro recado importante: proteger a floresta é proteger pessoas. Povos indígenas, ribeirinhos e comunidades locais são guardiões fundamentais do equilíbrio climático e também têm muitos jovens liderando ações dentro de suas regiões. A COP30 destaca que garantir os direitos dessas populações é parte essencial da justiça climática.
A Engenheira Ambiental Tainá Rauber reforça que compreender o impacto do clima desde cedo ajuda as novas gerações a conectar o global ao local.
Elas percebem que o aquecimento global não é algo distante, mas algo que interfere no rio da cidade, na plantação do vizinho, na saúde da família e na escola onde estudam. Esse entendimento estimula empatia e ação, dois pilares da responsabilidade ambiental e que começam a fazer parte do dia a dia deles, e assim podem ir fazendo a diferença no seu ambiente.
Para a especialista, o mais importante é entender que ninguém precisa enfrentar o processo sozinho. Justiça climática é sobre união, solidariedade e cooperação. É sobre adultos ouvindo jovens, governos ouvindo comunidades e países trabalhando juntos. A COP30 reforça que cuidar do planeta é um trabalho coletivo — e cada gesto conta.
“O engajamento dos jovens tem um poder enorme. Movimentos liderados por adolescentes e estudantes já influenciaram governos, empresas e organismos internacionais a adotar metas ambientais mais ambiciosas. A juventude traz voz, energia e autenticidade e isso pressiona tomadores de decisão a agir com mais responsabilidade”, enfatiza Tainá Rauber.
No fim, a mensagem que Belém envia ao mundo é clara: garantir um futuro justo e seguro para crianças e adolescentes depende das escolhas feitas agora. Com informação, participação e compromisso, é possível construir um planeta mais equilibrado, sustentável e cheio de oportunidades para as próximas gerações.
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