Lucas Quirino/DOL – Enquanto as atenções do mundo se voltam para Belém, que sedia a Cúpula de Líderes da COP30, o Brasil aproveita o encontro para mostrar que a transição energética e a adaptação climática não dizem respeito apenas às florestas, mas também às cidades. Em meio a debates sobre justiça climática e financiamento verde, o ministro das Cidades, Jader Filho, destacou o papel decisivo dos centros urbanos no enfrentamento à crise climática e anunciou novas iniciativas para fortalecer a infraestrutura municipal diante de eventos extremos.
“Esta COP precisa ser a COP das florestas, mas também das cidades. Oitenta e dois por cento dos brasileiros vivem em áreas urbanas, e mais de 80% das emissões globais vêm das cidades. Precisamos descarbonizar as nossas frotas e tornar nossas infraestruturas resilientes e sustentáveis”, afirmou o ministro.
Durante a Cúpula, o Jader Filho disse que haverá fundo destinado a apoiar municípios médios e pequenos na elaboração de projetos voltados à adaptação climática e à sustentabilidade urbana. O objetivo é permitir que essas prefeituras tenham acesso a financiamentos nacionais e internacionais para obras de drenagem, contenção de encostas e modernização de sistemas de saneamento e mobilidade.
“O governo brasileiro vai aportar recursos próprios e buscar parcerias com organismos multilaterais. Queremos que os municípios estejam preparados para lidar com enchentes, chuvas extremas e deslizamentos de terra, que infelizmente têm destruído cidades inteiras, como vimos no Rio Grande do Sul”, explicou Jader Filho. Segundo ele, apenas para aquele estado o governo federal já destinou R$ 6,5 bilhões em obras de macrodrenagem e contenção de encostas.
Fundo Amazônico e investimentos internacionais
O ministro também celebrou o lançamento do Fundo de Defesa do Meio Ambiente e da Amazônia, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro dia da Cúpula. O fundo tem como meta captar recursos internacionais para financiar ações de preservação ambiental e adaptação urbana na região amazônica.
“Pouco antes da nossa conversa, o primeiro-ministro da Alemanha confirmou o primeiro grande investimento nesse fundo. Esses recursos vão ajudar a gerar uma infraestrutura sustentável e resiliente nas nossas cidades — algo que já está sendo feito aqui em Belém, com a recuperação de 18 canais para acabar com os alagamentos”, destacou.
Mobilidade limpa e transição urbana
Belém, cidade-sede da COP30, também foi usada como exemplo do esforço do governo para reduzir emissões urbanas. Segundo o ministro, o novo sistema BRT da capital paraense contará com 256 ônibus, dos quais 40 serão elétricos, equipados com ar-condicionado e Wi-Fi, resultado de uma parceria entre o governo federal, o governo estadual e a prefeitura.
Para Jader Filho, ações como essa demonstram que o enfrentamento à crise climática exige a integração entre política urbana e ambiental. “A ciência já mostrou o caminho. Precisamos diminuir as emissões tratando o esgoto, cuidando dos resíduos sólidos e substituindo os combustíveis fósseis. E, ao mesmo tempo, preparar nossas cidades para resistir aos impactos dos eventos climáticos”, afirmou.
Cidades no centro do debate climático
Com o tema da transição energética justa dominando a Cúpula dos Líderes, o discurso do ministro reforça o papel das cidades como atores centrais da agenda climática. Para ele, pensar o futuro do planeta passa também por garantir que os espaços urbanos — onde vive a maioria da população — sejam sustentáveis, seguros e preparados para um novo cenário ambiental.
“Estamos muito felizes de ver que a COP está acontecendo aqui, na Amazônia, em Belém. Tenho certeza de que daqui sairão grandes iniciativas para o futuro do nosso planeta”, concluiu.
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