Júlia Marques/DOL – Nesta segunda-feira (17), início da segunda semana da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) em Belém, o ecoturismo e a economia verde ganharam protagonismo na programação da Green Zone. No painel “Ecoturismo: A Solução Sustentável para o Brasil”, especialistas e representantes do poder público reforçaram que o segmento não apenas promove a valorização do território e da biodiversidade, mas também integra a economia verde, criando oportunidades de geração de renda e inovação sustentável para comunidades locais.
O painel contou com a participação de Rita Pantoja, doutora em turismo sustentável pela Universidade Federal do Pará (UFPA); Fabiana Oliveira, coordenadora-geral de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo do Brasil; e Nay Barbalho, vereadora de Belém, que mediou a conversa.
Valorização do território, biodiversidade e economia verde
Abrindo o debate, Rita Pantoja destacou que o ecoturismo nasce com a missão de valorizar território, cultura e pessoas, elementos que fazem do Brasil um dos países mais ricos em diversidade socioambiental. Segundo dados da Embratur, 60% da produção cultural movimentada pelo turismo em 2024 veio do ecoturismo, presente em todas as regiões do país.
Rita reforçou que, para o ecoturismo avançar como vetor da economia verde, políticas públicas e investimentos estratégicos são essenciais. “Sem recursos não fazemos nada. As políticas públicas são o que permite transformar sonhos em realidade”, afirmou.

Ela também destacou o potencial ainda pouco explorado do país: apenas 10% da biodiversidade brasileira é conhecida. Compreender e conservar esse patrimônio natural, aliado à valorização de comunidades tradicionais, gera renda sustentável e preserva a cultura local, integrando o ecoturismo à economia verde.
A vereadora Nay Barbalho reforçou que infraestrutura adequada é fundamental para que o ecoturismo e os negócios sustentáveis se tornem políticas estruturantes. Municípios com grande potencial, muitas vezes, ainda enfrentam dificuldades de acesso, limitando o desenvolvimento econômico e ambiental.

“Nós não perdemos em nada para destinos consolidados, como Campos do Jordão. Perdemos na infraestrutura. Potencial nós temos até mais, mas precisamos de políticas públicas, financiamento e planejamento”, destacou Nay.
Para Nay, a COP30 tem mostrado à população amazônida o valor econômico e ambiental dos territórios da região. “Durante muito tempo duvidaram da nossa capacidade, inclusive nós mesmos. A COP está mostrando o contrário”, completou.
Políticas nacionais e integração com comunidades
Representando o Ministério do Turismo, Fabiana Oliveira destacou que o ecoturismo é hoje uma das principais motivações dos turistas internacionais que visitam o Brasil, responsável por cerca de 20% do total, e que o segmento é um vetor da economia verde, gerando empregos sustentáveis e fortalecendo cadeias produtivas locais.
De acordo com ela, o MTur trabalha em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, nstituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Embratur para fortalecer a visitação em unidades de conservação, apoiar comunidades na criação de experiências sustentáveis e integrar projetos que gerem benefícios econômicos e ambientais de longo prazo.

Entre as iniciativas destacadas por ela, estão: catalogação e promoção de destinos de ecoturismo; apoio à infraestrutura e sinalização de parques; concessões para qualificar serviços turísticos; programas de turismo de base comunitária; e qualificação profissional e apoio a roteiros locais.
Além disso, Fabiana também anunciou dois lançamentos durante a COP30: a Trilha Amazônia Atlântica, a maior trilha de longo curso da América Latina, integrando 17 municípios e mais de oito comunidades, e o Diagnóstico Nacional das Políticas Públicas de Observação de Aves, setor que cresce especialmente entre turistas estrangeiros. O Brasil é o terceiro país com maior diversidade de aves no mundo, com 1.979 espécies
“Sem os três pilares, contato com a natureza, educação ambiental e benefícios diretos para as comunidades, não existe ecoturismo”, reforçou Fabiana.
Segundo Fabiana, o Brasil, com uma biodiversidade única, comunidades tradicionais e interesse crescente de turistas e investidores, tem no ecoturismo uma oportunidade de fortalecer a economia verde. Mas, para que isso se concretize, é preciso investir em infraestrutura, políticas públicas e apoio contínuo às comunidades que já cuidam da floresta há gerações.
O post Economia verde e turismo ganham destaque na COP30 apareceu primeiro em RBA NA COP.


