Em um momento simbólico para a agenda ambiental, o Governo do Pará realiza nesta segunda-feira (17), a soltura de 15 ararajubas (Guaruba guarouba) no Parque Estadual do Utinga, em Belém, como parte das ações alusivas à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Ao todo, 30 aves serão libertadas, reforçando o compromisso do Estado com a conservação da fauna amazônica.
O retorno da ararajuba aos céus da Região Metropolitana de Belém representa uma vitória histórica para a espécie, considerada extinta na área devido ao desmatamento, tráfico de animais e destruição de ninhos. Desde 2015, o Projeto de Reintrodução e Monitoramento, conduzido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) em parceria com a Fundação Lymington, já devolveu 58 aves à natureza. Além disso, sete filhotes nasceram em solo paraense por reprodução natural, ampliando a presença da espécie na capital.
“Muitas dessas aves nasceram na Fundação Lymington, em Juquitiba, São Paulo, onde recebem cuidados veterinários, alimentação equilibrada e estímulos comportamentais necessários ao pleno desenvolvimento”, destaca o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto. Para ele, o sucesso do projeto comprova que é possível recuperar populações ameaçadas quando existe ciência, comprometimento e união de esforços. “As ararajubas voltaram para ficar, e cada voo representa uma vitória da conservação”, disse.
Após a chegada ao Pará, as aves passam por um período de aclimatação de quatro a seis meses em viveiro especial no Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna. Nesse período, são avaliadas quanto à saúde, socialização e comportamentos essenciais para a vida livre. A dieta é adaptada para incluir frutas amazônicas, como açaí, murici e uxi, preparando-as para identificar alimentos típicos do habitat.

O projeto avançou em 2024 com a terceira fase, marcada pela ampliação da estrutura no Parque Estadual do Utinga, incluindo expansão do aviário de treinamento, novos espaços de educação ambiental e instalação de equipamento digital interativo para aproximar a população das ações de preservação. O objetivo é realizar a soltura de 30 novas aves durante a COP30, reforçando a importância simbólica e ambiental do retorno da espécie.
“A reintrodução das ararajubas é um marco histórico legal para nosso Estado e para a cidade de Belém. No ano em que sediamos a COP30, teremos o ato simbólico de liberar 30 indivíduos nos céus da capital”, explica a gerente de Biodiversidade do Ideflor-Bio, Mônica Furtado. Segundo ela, o sucesso do projeto já é evidenciado pelos sete filhotes nascidos na floresta da Região Metropolitana, as chamadas “jubinhas belenenses”.
O treinamento das aves inclui fortalecimento físico, socialização em grupo e reconhecimento do ambiente natural. Marcelo Vilarta, biólogo da Fundação Lymington, ressalta que as ararajubas formam bandos familiares. “Enquanto parte do grupo se alimenta, outros atuam como sentinelas. Na reprodução, até indivíduos que não estão criando ajudam a alimentar filhotes”, explica.
Apesar dos resultados positivos, a equipe alerta que o trabalho de conservação é contínuo. “Qualquer alteração no ambiente pode interromper processos de reprodução e comprometer a sobrevivência do grupo”, afirma Vilarta. Ainda assim, o crescimento natural da população indica que o habitat voltou a ser favorável para a espécie.
Além da beleza, a ararajuba é símbolo de equilíbrio ecológico, dispersando sementes, integrando cadeias alimentares e servindo como indicador da saúde ambiental da floresta. “Quando uma espécie retorna, a biodiversidade respira. Floresta conservada, fauna viva e linda”, afirma Mônica.
“O Pará escreve um capítulo inspirador para o Brasil e para o mundo: restaurar e proteger é possível, e cada asa batendo representa um futuro mais vivo, mais verde e mais amazônico”, completa Nilson pinto.
Texto: Júlia Marques com informações da Agência Pará.
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