25 C
Belém
domingo, março 8, 2026

Descrição da imagem

COP30: Mulheres defendem protagonismo feminino no combate à crise climática

Data:

Descrição da imagem

Júlia Marques/DOL – No quarto dia da COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), em Belém, o debate sobre o futuro do planeta ganhou voz e força feminina. Na manhã desta quinta-feira (13), o painel “Mulheres, Clima e Poder”, realizado na Blue Zone da conferência, reuniu autoridades brasileiras e lideranças internacionais para discutir o papel das mulheres na formulação de políticas ambientais e na construção de soluções sustentáveis.

O evento contou com a presença da primeira-dama Janja Lula da Silva; da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; da ministra das Mulheres, Márcia Lopes; da ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet; e da deputada federal Jack Rocha, coordenadora da bancada feminina da Câmara dos Deputados. Alem delas, também participaram representantes do Clube de Madrid, organização independente sem fins lucrativos criada para promover a democracia e a mudança na comunidade internacional, entre outras lideranças femininas.

Amazônia como símbolo de urgência e esperança

Sediada pela primeira vez na Amazônia, a COP30 reúne representantes de governos, entidades civis e organizações ambientais para discutir estratégias de enfrentamento à crise climática. O painel trouxe à tona a interseção entre gênero e meio ambiente e destacou que as mulheres, especialmente as que vivem em territórios amazônicos, estão entre as mais afetadas pelas mudanças climáticas, mas também lideram iniciativas de resistência e adaptação.

A deputada Jaqueline Rocha lembrou que as desigualdades de gênero se refletem também na forma como as crises climáticas atingem a população. “A mudança climática não é o futuro, é a fome do agora, a desigualdade do agora. E nós, mulheres, somos as mais impactadas. As ações de mitigação só terão sentido se todas estivermos juntas, sendo protagonistas desse processo”, afirmou.

Ela destacou o papel da bancada feminina no Congresso Nacional na aprovação de leis voltadas à igualdade salarial, à política de cuidados e ao combate à violência contra mulheres indígenas. “O Parlamento é o lugar onde levamos a voz de quem muitas vezes é invisibilizado”, disse.

Já primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, convidada especial do governo brasileiro à conferência, defendeu que a luta por justiça climática só será possível com a presença de mulheres nos espaços de poder.

“Não há justiça climática sem igualdade de gênero. Não há igualdade de gênero sem mulheres no poder”, disse Janja.

Ela destacou também a importância das mulheres que atuam nas bases, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e agricultoras, que muitas vezes desenvolvem soluções locais e sustentáveis, mas seguem invisibilizadas nas políticas globais. “A floresta só vai ficar em pé com a união de todas nós. Precisamos de mulheres em todos os espaços, do território à diplomacia internacional”, reforçou.

Lideranças políticas e sociais destacam na COP30 que a justiça climática depende também da presença de mais mulheres no poder. Foto: Júlia Marques/DOL

Vozes globais e redes de apoio

Representando o Clube de Madrid, Helena destacou a relevância de realizar esse debate no centro da Amazônia, região que simboliza a urgência da crise climática e a esperança de um novo modelo de desenvolvimento. “Sem igualdade de gênero não há justiça. Precisamos garantir que as vozes das mulheres, em toda a sua diversidade, moldem as decisões que conduzirão a transição para um futuro verde e justo”, afirmou.

A ex-presidenta do Chile e ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, tambem falou durante o painel. Ela defendeu a criação de uma rede ibero-americana de mulheres na política, para fortalecer a presença feminina em cargos de liderança e promover apoio mútuo entre gerações. “As mulheres não apenas enfrentam as crises, elas são capazes de transformá-las. Precisamos de mais mulheres decidindo, liderando e construindo um futuro sustentável”, disse.

Bachelet também destacou que a crise climática é, em essência, uma crise de liderança. “O desafio ainda é ouvir as mulheres, acreditar nelas e lhes dar espaço. Democracia é uma palavra feminina”, concluiu.

 

O post COP30: Mulheres defendem protagonismo feminino no combate à crise climática apareceu primeiro em RBA NA COP.

Compartilhe

Descrição da imagem

Mais Acessadas

Descrição da imagem