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sábado, março 7, 2026

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COP30: manifestação na Blue Zone destaca injustiça da dívida climática global

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Júlia Marques/DOL – A manhã desta terça-feira (18), na Blue Zone da COP30, foi marcada por um ato que criticou a crescente pressão da dívida sobre países do Sul Global e a relação direta com os impactos da crise climática. Diante de delegações e observadores, manifestantes de diferentes movimentos denunciaram o avanço do endividamento, a falta de compensação pelas perdas e danos já sofridos e o papel de bancos multilaterais em aprofundar desigualdades históricas.

Uma das lideranças abriu a manifestação com números que chamaram atenção pelo contraste entre responsabilidade climática e carga financeira. “Nos últimos 10 anos, a dívida global disparou. Ela foi de 200 trilhões para mais de 300 trilhões de dólares. Estamos com mais de 100 trilhões de dólares em dívidas hoje. E essa dívida está concentrada no Sul Global, nos países pobres como Paquistão, Sri Lanka e Gana”.

Segundo ela, enquanto nações vulneráveis pagam juros elevados, países ricos não oferecem recursos equivalentes às perdas e danos causados pela crise climática. “Os juros que estamos pagando aos países ricos, eles não nos pagam em nada pela perda e dano que sofremos”, disse.

Durante o ato, os manifestantes chamavam a atenção de quem passava pelo corredor da Blue Zone da COP30 com o grito: “O que nós queremos? Cancelem a dívida! Quando queremos? Agora!”.

Os manifestantes também criticaram propostas de mercados financeiros ambientais e instrumentos como swaps de dívida, créditos de carbono e títulos de natureza. Segundo eles, essas iniciativas criam novas formas de exploração. “Eles querem transformar terras indígenas em ativos de carbono. Querem transformar a biodiversidade em mercadoria. Querem transformar ecossistemas em garantia para novas formas de dívida, novos mercados e nova extração. Eles chamam isso de conservação. Nós chamamos isso de apropriação de terras neocolonial”, afirmou uma das porta-vozes, defendendo que tais mecanismos não representam soluções reais para a crise climática.

Durante a manifestação, Babar Alam, do Paquistão, relatou que o país é um dos mais vulneráveis aos extremos climáticos. “Em 2022, um terço do Paquistão ficou sob inundação severa, causada pelas mudanças climáticas. Este ano, um quarto do país voltou a ficar submerso”, afirmou. Ele também criticou a resposta de instituições financeiras internacionais. “O Banco Mundial e o ADB nos deram dois bilhões de dólares em empréstimos. Sem doações, sem alívio, sem reabilitação, mas mais empréstimos”, disse.

Babar Alam. (Foto: Júlia Marques)

Alam destacou que a dívida paquistanesa mais que dobrou na última década, passando de 40% para 79% do PIB. “A cada cem rúpias que ganhamos, 79 vão para o pagamento da dívida, não para saúde, educação ou moradia do nosso povo”. Segundo ele, até mesmo recursos recentes destinados à adaptação climática estão sendo oferecidos como empréstimos. “O FMI [Fundo Monetário Internacional] está nos dando um bilhão de dólares para adaptação climática, mas isso também é um empréstimo. Eles não nos dão o dinheiro que nos devem em perdas e danos”, declarou.

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