A segunda semana da Conferência do Clima da ONU (COP30) começou nesta segunda-feira (17) reunindo cerca de 160 ministros e representantes de alto escalão na Zona Azul, área onde ocorrem as principais negociações. A chamada “semana ministerial” marcou o início de uma etapa mais intensa das tratativas, com a apresentação de propostas, novos compromissos e crescente apoio político para fechar acordos até o fim da conferência.
Durante coletiva de imprensa, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o embaixador e presidente da COP30, André Corrêa do Lago, a CEO da COP30, Ana Toni, a ministra do Meio Ambiente Marina Silva e o secretário de Clima do Itamaraty, embaixador Mauricio Carvalho Lyrio, apresentaram um balanço dos avanços das negociações até o momento.
Pacotes de negociação aceleram ritmo da COP30
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou que a conferência entra agora em um momento decisivo, com a construção de dois grandes pacotes de negociação que devem ser concluídos até sexta-feira. “Foi uma sessão muito intensa. Recebemos apoio impressionante dos negociadores para avançar. Vamos trabalhar inclusive à noite para entregar dois pacotes: um até metade da semana e outro na sexta-feira”, afirmou.
Lago explicou que a proposta em discussão busca integrar temas centrais do acordo final, como adaptação, transição justa e elementos técnicos que ainda estavam em consulta. Ele também destacou um momento simbólico da agenda: uma apresentação de fotografias de Sebastião Salgado com trilha de Heitor Villa-Lobos, que emocionou os participantes na abertura do dia.
Brasil lança estratégia para descarbonização da indústria
O vice-presidente Geraldo Alckmin apresentou iniciativas brasileiras voltadas à transição energética e à economia de baixo carbono. Entre elas, o lançamento da Estratégia Nacional de Descarbonização da Indústria, agora em consulta pública até 17 de janeiro.

“É um conjunto de protocolos para descarbonizar a indústria brasileira. Estamos avançando em rastreabilidade, economia circular e reciclagem — que só este ano já certificou 50 toneladas. Agora, incluiremos o alumínio, que pode ser reciclado infinitas vezes”, explicou.
Alckmin também anunciou novos investimentos para bioeconomia na Amazônia:
“Serão R$ 103 milhões do Fundo Clima e mais R$ 7 milhões do Sebrae para fortalecer cadeias da sociobiodiversidade, como açaí e castanha, beneficiando 3.500 famílias extrativistas e mais de 50 cooperativas.”
Ele ainda comemorou o avanço global na atualização das NDCs — compromissos climáticos nacionais — que já somam 118 países.
Ministra Marina Silva reforça importância do diálogo
A ministra Marina Silva ressaltou que a semana ministerial marca o início do “momento operacional” da COP30, quando os temas mais complexos passam a ser negociados diretamente pelos ministros. “Entramos na fase de operação de vários temas. Buscamos viabilizar os melhores resultados, mesmo diante de questões adicionais que surgem no processo. O diálogo é fundamental — é em nome da beleza e da grandeza do planeta que precisamos alcançar os maiores e melhores resultados”, declarou.

Ana Toni detalha atuação ministerial e primeiros esboços das decisões
A CEO da COP30, Ana Toni, explicou que ministros de diferentes países foram designados para liderar negociações temáticas e destravar pontos sensíveis.
Entre os pares ministeriais designados:
- Adaptação: Alemanha e Gâmbia
- Finanças: Reino Unido e Quênia
- Mitigação: Egito e Espanha
- Transição justa: Colômbia e México
- Tecnologia: Austrália e Índia
- Gênero: Suécia e Chile
- Balanço Global (GST): Noruega e Azerbaijão
Segundo Toni, essa estrutura permitirá maior agilidade no encaminhamento das decisões.
“Todos gostaram da sugestão de como caminhar. O Brasil apresentará um primeiro rascunho da decisão sobre os quatro temas centrais ainda amanhã”, afirmou.
Os quatro temas centrais citados são: medidas de implementação, economia e comércio, apoio a países vulneráveis (MVCs) e transparência.
Avanços consolidam expectativa por acordo robusto
Com a construção de pacotes de negociação, novas estratégias nacionais, designação de pares ministeriais e apoio crescente dos países, a COP30 entra em sua fase mais crítica com sinais positivos.
A expectativa da presidência brasileira é concluir um texto equilibrado e ambicioso, capaz de responder às demandas urgentes da crise climática e reforçar compromissos globais de adaptação, mitigação e financiamento climático.
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