Júlia Marques/DOL – O décimo dia da COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, nesta quarta-feira (19), em Belém, começou com uma manifestação que chamou atenção de delegações e lideranças internacionais na entrada da Blue Zone. O grupo defendia que a Declaração de Belém, documento em negociação que reúne metas ambientais, econômicas e sociais para transformar o cenário global e garantir o desenvolvimento sustentável, avance com diretrizes claras e um compromisso efetivo de inclusão social e proteção a povos e comunidades vulnerabilizadas.
Entre os manifestantes, os colombianos Sebastián Aguirre e Sofía Ramírez levaram ao centro da conferência um alerta sobre o impacto dos projetos minero-energéticos na América Latina. Sebastián lembrou que a Colômbia segue como o país mais perigoso do mundo para defensores ambientais.
“Entre 2015 e 2024, mais de 631 pessoas foram assassinadas, e 68% desses casos estão relacionados a projetos minero-energéticos. Por isso, estamos aqui para dizer que não pode haver mais projetos desse tipo”, disse Sebastián.
Ele destacou ainda que, entre 2020 e 2021, a região registrou 454 ataques contra defensores de direitos humanos, episódios classificados como crimes contra a humanidade. Para Sebastián, a Conferência das Partes sediada em Belém é o momento de pressionar por decisões firmes.
“A partir do coração da floresta amazônica, queremos dizer aos tomadores de decisão que é hora de se afastar dos projetos minero-energéticos. A Declaração de Belém deve garantir uma transição justa, equitativa e com cooperação internacional”, afirmou ele.
Sofía Ramírez reforçou a incompatibilidade entre a manutenção dos subsídios fósseis e a meta global de limitar o aquecimento a 1,5°C. “A Declaração de Belém nos lembra que continuar com produção, licenças e subsídios fósseis é incompatível com a meta de 1,5°C. Hoje, nos perguntamos por que seguimos financiando nossa própria destruição”, questiona ela, também defendendo que a transição energética precisa acelerar a expansão das renováveis e assegurar reconversão laboral para trabalhadores impactados.
Sebastián completou que a justiça e a inclusão devem ser os pilares do novo pacto climático. “A declaração que defendemos pensa nas comunidades indígenas, nas comunidades afrodescendentes, nas populações rurais e nas mulheres que têm defendido a terra. Uma transição justa exige transformar a arquitetura financeira internacional, tornando-a mais inclusiva, mais justa e capaz de criar espaço fiscal para os países mais vulnerabilizados”, concluiu.
O ato na Blue Zone mostrou a pressão sobre os negociadores da COP30 ao reforçar que a transição energética defendida pelos manifestantes precisa ser, acima de tudo, justa. Para eles, não se trata apenas de substituir matrizes energéticas, mas de assegurar que essa mudança seja também social, alcançando primeiro as populações que historicamente têm sentido, de forma mais dura, os efeitos da crise climática.
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