Lucas Contente (DOL) – Durante o terceiro dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizado nesta quarta-feira (12) em Belém, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) fez uma conexão entre as crises climática e social no Brasil. A parlamentar afirmou que o racismo estrutural e a ausência do Estado contribuem para o agravamento da violência nas favelas do Rio de Janeiro.
A fala ocorreu poucos dias após a megaoperação das Polícias Civil e Militar nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense, que deixou 121 pessoas mortas e 113 presas, segundo o balanço oficial do governo do Rio. A ação, considerada a mais letal da história do estado, teve como alvo integrantes do Comando Vermelho e integra a chamada Operação Contenção.
Quatro policiais — dois civis e dois militares — estão entre as vítimas. Os agentes mortos foram identificados como Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, conhecido como Máskara; Rodrigo Velloso Cabral; Cleiton Serafim Gonçalves; e Heber Carvalho da Fonseca. Segundo as corporações, eles foram atingidos durante confrontos com criminosos armados na Vila Cruzeiro e no Complexo da Penha. Notas oficiais da Polícia Militar e do Bope destacaram o “comprometimento e a coragem” dos agentes mortos.
De acordo com as investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a operação tinha como objetivo cumprir cerca de 100 mandados de prisão contra lideranças do tráfico. Foram apreendidos 93 fuzis, além de pistolas, motocicletas e drogas. Durante os confrontos, criminosos incendiaram barricadas, lançaram explosivos com drones e bloquearam vias como a Linha Amarela e a Grajaú-Jacarepaguá, que permaneceram interditadas por mais de 12 horas.
Na COP30, Benedita da Silva afirmou que episódios como esse demonstram o abandono das comunidades e a falta de políticas públicas integradas de segurança, meio ambiente e desenvolvimento social.
“Essas áreas foram praticamente abandonadas pelo poder público. Ficou como se fossem terras sem lei, como se aquele território fosse apenas dos fabricantes de drogas e de armas. E a gente se pergunta: como essas armas e drogas chegam lá?”, disse.
A deputada defendeu que o debate ambiental deve incluir o cotidiano das periferias e as condições de vida nas favelas.
“O meio ambiente não é só a floresta ou os recursos minerais. É também o ambiente em que vivemos: a contenção de encostas, escolas próximas, trabalho, qualificação da juventude. O poder público só entra nas favelas armado — e são essas armas que produzem mortes, inclusive de policiais”, afirmou.
Benedita criticou a falta de planejamento e inteligência nas ações de segurança e destacou que o governo federal busca fortalecer o papel da Polícia Federal no combate ao crime organizado.
“Essas ações não são para apurar, são para matar — e isso é gravíssimo. A Polícia Federal precisa investigar os verdadeiros chefes, as armas, as drogas, e não matar ninguém.”
A parlamentar avaliou que levar a discussão das favelas para a COP30 é uma forma de ampliar a participação de diferentes vozes na agenda climática.
“A favela também está presente aqui. Estamos discutindo o que significa meio ambiente dentro dela. Precisamos de saneamento básico, contenção de encostas — precisamos de tudo isso”, concluiu.
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