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terça-feira, março 10, 2026

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Atividade econômica não é inimiga da floresta, diz enviado do Brasil à COP

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A Amazônia precisa ser economicamente viável para continuar existindo. Essa é a defesa do ecologista Beto Veríssimo, enviado especial do Brasil para o tema Florestas na COP30, que acontecerá em Belém. Segundo ele, transformar a floresta em uma fonte de renda sustentável é a forma mais eficaz de garantir sua preservação e contribuir para o enfrentamento da crise climática.

Engenheiro agrônomo e pesquisador com longa trajetória em desenvolvimento sustentável, Veríssimo afirma que é preciso “separar o joio do trigo” quando se fala em economia e meio ambiente. “Hoje em dia, tem muita gente trabalhando numa solução para a pecuária. Várias organizações estão trabalhando em acordos de rastreabilidade, transparência, etc, e há avanços. Na mineração industrial, também”, pontuou.

Para ele, o problema não está na economia legal, mas nas atividades criminosas. “Você precisa, na Amazônia, de atividade econômica legalizada, que faz parte da solução. E tirar da Amazônia o crime organizado e as atividades ilegais, a grilagem, o roubo de terra e tal. Esses são os inimigos da floresta. Porque parece que o setor privado é o inimigo. Não, é a parte das atividades ilegais.”

Veríssimo defende que o debate ambiental não deve transformar o setor produtivo em vilão. “Não [devemos] demonizar as atividades econômicas, taxando-as como se fossem inimigos da floresta. Ao mesmo tempo, [temos de] reconhecer que tem, sim, atividades ilegais e predatórias que ameaçam não só a floresta, mas a segurança hídrica e energética do Brasil.”

Embora o desmatamento tenha diminuído 32,4% em todos os biomas brasileiros no último ano — sendo 16,8% na Amazônia —, o país ainda é responsável por 70% da perda de florestas no mundo, segundo relatório da ONU. “Na Amazônia, 85 milhões de hectares foram desmatados. Isso é maior do que os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo juntos”, lamenta o pesquisador.

Reflorestar e rentabilizar

Representante do Brasil na COP30, Beto Veríssimo defende que o desenvolvimento sustentável é o caminho para preservar a Amazônia e combater as mudanças climáticas.

O enviado à COP30 aponta dois caminhos essenciais: combater o desmatamento ilegal e financiar o reflorestamento. Ele explica que restaurar áreas degradadas é tão importante quanto reduzir emissões. “[Podemos reduzir o CO2 na atmosfera] com a fotossíntese, da captura do carbono por meio do crescimento das árvores, que é uma solução baseada na natureza. Quem vai oferecer essa solução baseada na natureza são os países do hemisfério Sul. Neste momento, o Sul tem a solução, que é fazer a restauração de floresta.”

O desafio, segundo ele, é transformar esse conceito em modelo econômico. “A floresta em pé presta um serviço climático para o Brasil e para o mundo. A solução climática tem que incluir as florestas”, defende Veríssimo, que também coordena o projeto Amazônia 2030.

Para isso, ele acredita que o mercado de carbono será uma ferramenta central, mas que ainda precisa de regulamentação. “O mercado de carbono hoje, que tem a ver com captura de carbono pelas florestas, ainda está no mercado voluntário. Uma empresa como a Microsoft voluntariamente compra um crédito, mas isso é um mercado muito pequeno, não vai decolar [dessa forma]”, explica.

Ecologista Beto Veríssimo, enviado especial de Florestas para a COP30… – Veja mais em https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2025/10/28/enviado-brasil-florestas-cop30-trabalho-setor-privado.htm?cmpid=copiaecola

No encerramento, o enviado resume o propósito de sua missão: “A floresta a ser plantada presta um serviço para o clima porque captura carbono. Assim, precisa ser remunerada, para que a gente a mantenha em pé. Para que a gente consiga restaurar em escala, a gente precisa ter uma economia que rode, que faça com que as pessoas que moram na floresta sejam remuneradas, para que quem está investindo possa ser remunerado.”

Com informações de UOL

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