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domingo, março 8, 2026

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Após negociações, indígenas liberam entrada da Blue Zone da COP30

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Andressa Ferreira, Brenda Hayashi e Lucas Quirino – Um grupo de indígenas Munduruku bloqueou o principal acesso à COP30, na manhã desta sexta-feira (14), em Belém, em um protesto que ampliou a cobrança por participação das comunidades indígenas nas decisões climáticas. A manifestação ocorreu na entrada da Blue Zone, área restrita da conferência, poucos dias após um ato em que indígenas e apoiadores entraram na mesma zona para chamar atenção para suas reivindicações.

Depois das negociações conduzidas pelo presidente da COP30, André Aranha Corrêa do Lago, e pela diretora executiva Ana Toni, a entrada da Blue Zone acabou sendo liberada. Após o acordo, os representantes da conferência seguiram para a Vila COP para dar continuidade às tratativas com as lideranças indígenas.

As lideranças pedem uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmam que a entrada de trabalhadores e participantes no evento só será permitida após serem recebidos por alguma autoridade. Representantes do Movimento Munduruku Ipereg Ayu afirmam que o governo tem avançado com projetos que afetam diretamente seus territórios sem realizar as consultas prévias previstas em lei.

Entre os pontos criticados estão a construção de hidrovias, portos privados, iniciativas de crédito de carbono e a Ferrogrão, ferrovia planejada para ligar a produção do Mato Grosso aos portos do Pará. O protesto tem como foco o Decreto 12.600 de 2025, que cria o Plano Nacional de Hidrovias e define os rios Tapajós, Madeira e Tocantins como rotas prioritárias para navegação comercial. Segundo os Munduruku, a medida pode intensificar dragagens, alterar o curso dos rios e impactar áreas consideradas tradicionais pela comunidade.















O grupo também chama atenção para a contaminação por mercúrio causada pelo garimpo, a redução da pesca e mudanças no uso dos rios decorrentes do aumento das operações de transporte na região. Dados do Inesc mostram que entre 2010 e 2022 cerca de 68 por cento dos investimentos federais em infraestrutura na Amazônia foram destinados a corredores de exportação. Em 2023 aproximadamente 47 por cento da soja brasileira foi escoada pelo Arco Norte. No rio Tapajós a movimentação de cargas passou de 4 mil toneladas em 2019 para 167 mil toneladas em 2022.

Outro ponto citado pelos Munduruku é a previsão de aumento do transporte de grãos caso a Ferrogrão seja concluída. Estudo do Ministério dos Transportes indica que o volume transportado pelo Tapajós pode crescer até seis vezes até 2049, o que deve resultar em mais portos e obras de dragagem nas cidades de Miritituba, Itaituba e Trairão.

As lideranças também pedem a retomada dos processos de demarcação de terras indígenas, que aguardam conclusão no Ministério da Justiça e na Casa Civil. O movimento associa o aumento de conflitos na região ao avanço de empreendimentos ligados ao agronegócio.

Em declaração divulgada pelo Movimento Munduruku Ipereg Ayu, os representantes reforçam que pretendem ser ouvidos pelo governo antes de permitir a circulação no local da conferência.

A Força Nacional e agentes de segurança da COP reforçaram o policiamento na área, enquanto representantes do governo e da organização do evento dialogam com o grupo na tentativa de liberar o acesso. A presença de povos indígenas na COP30 é considerada por organizações do setor como um elemento relevante no debate sobre políticas ambientais e climáticas.

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