A profissão de prático de navios é uma das mais antigas da navegação e segue indispensável nos portos modernos. Além de estratégica, ela pode render entre 100 mil a 300 mil mensais, com turnos que podem chegar a 12 horas por dia.O prático é o profissional especializado em conduzir grandes embarcações com segurança em áreas chamadas de “águas restritas”, como canais, rios, baías e acessos portuários.
Na prática, ele orienta e executa manobras de entrada, saída e atracação de navios que podem pesar milhares de toneladas e não dispõem de freio, assumindo o comando técnico da operação ao lado do comandante da embarcação. Por força de lei, a praticagem é considerada atividade essencial à segurança da navegação e é rigidamente fiscalizada pela Marinha do Brasil, que define regras, zonas de atuação e número de profissionais em cada região.
Para ingressar na carreira, não existe faculdade tradicional. O acesso se dá por meio de processos seletivos extremamente concorridos conduzidos pela Marinha, seguidos de um longo período de formação prática e teórica. Os cursos e treinamentos são vinculados às Capitanias dos Portos e aos Centros de Instrução da Marinha, com destaque, na região Norte, para estruturas ligadas às Capitanias dos Portos do Pará, do Amazonas e do Amapá, que atendem especialmente as zonas de praticagem da Amazônia, incluindo o rio Amazonas e seus principais terminais. O treinamento pode levar vários anos, já que o profissional só pode atuar na zona específica para a qual foi habilitado.
No Brasil existem pouco mais de 600 práticos de navios habilitados, distribuídos em 20 Zonas de Praticagem ao longo da costa marítima e dos rios que demandam portos — esse número total inclui cerca de 14 mulheres e é regulamentado pela Marinha do Brasil via Diretoria de Portos e Costas.
No Norte, a principal Zona de Praticagem que atende o Pará é a ZP-Belém, Complexo Portuário Vila do Conde e Adjacências (PA), que inclui os acessos pelo rio Pará e canais próximos aos portos da capital paraense e adjacências.
Além disso, a maior Zona de Praticagem do mundo, a ZP-01 – que atravessa o Amapá, Pará e Amazonas pelo rio Amazonas até Itacoatiara, concentra um grande efetivo de práticos justamente por sua extensão e complexidade: nessa região trabalham cerca de 160 práticos, muitos deles com bases operacionais em áreas que incluem o Pará.
Onde se inscrever / como começar o processo:
O acesso à profissão não se dá por “faculdade tradicional”, e sim por meio de um processo seletivo (PSCPP) promovido pela Marinha do Brasil, conforme a Norma da Autoridade Marítima (NORMAM-311). Esse processo é rigoroso e exige ensino superior completo, formação náutica prévia e habilitação como “praticante de prático”; quem for aprovado ainda cumpre treinamento supervisionado de cerca de 12 meses antes de obter a carta definitiva.
Links oficiais e úteis para acompanhar ou se inscrever:
Marinha do Brasil – Processo Seletivo à Categoria de Praticante de Prático (PSCPP)
https://www.marinha.mil.br/dpc/processo-seletivo
Guia sobre a Practicagem (normas e requisitos) – inclui detalhes da NORMAM-311
https://www.praticagemdobrasil.org.br/praticagem/guia-sobre-a-praticagem/
Lista de Zonas de Praticagem e empresas que atuam no Norte (inclui contatos de empresas de practicagem que operam na ZP-Belém e adjacências)
https://www.praticagemdobrasil.org.br/praticagem/zonas-de-praticagem/
— A carreira exige preparo técnico sério e experiência no mar, mas para quem ama a navegação e quer ser protagonista das manobras mais desafiadoras dos portos brasileiros, acompanhar os editais da Marinha e participar do PSCPP é mesmo o caminho a trilhar.
A remuneração é um dos pontos que mais chama atenção. Estimativas do próprio setor indicam que um prático pode ganhar entre R$ 100 mil e R$ 300 mil por mês, a depender da zona de praticagem, do volume de navios atendidos e da escala de trabalho. Na Amazônia, por exemplo, os práticos costumam trabalhar em regime de rodízio, com média de 12 a 15 dias de navegação por mês. A jornada diária geralmente é de cerca de 12 horas, divididas em turnos de seis horas quando há revezamento a bordo, especialmente nas longas travessias fluviais. É uma carreira de alta responsabilidade, risco elevado e exigência técnica extrema — bem à moda antiga: poucos profissionais, muito preparo e erro zero.
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