Sexo em locais impróprios é crime passível das penalidades da lei, mas nem sempre a noção acompanha quem simplesmente quer praticar. Segundo denúncias, um bosque público na Cidade Industrial de Curitiba deixou de ser área de lazer familiar. O local agora é alvo de investigações por ditas práticas sexuais e suposta venda de drogas.
O Bosque do Trabalhador, localizado no bairro da capital paranaense, foi criado para ser um espaço de caminhadas, lazer e convívio familiar. Contudo, o local ganhou outra função e se transformou em ponto de encontros sexuais a céu aberto.
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Por isso, moradores e autoridades manifestam preocupação com o uso inadequado da área pública. Foi com isso em mente que o vereador João Bettega (União Brasil) reuniu um dossiê com mais de uma hora de gravações que comprovam a situação.
Essas imagens mostram a entrada e saída constante de homens que buscam encontros sexuais rápidos na mata. Além disso, os registros revelam abordagens diretas, como a de um frequentador que perguntou ao cinegrafista: “Quer dar uma mamada?”, indicando se a pessoa queria praticar sexo oral nele.
Abordagens explícitas afastam população
Os vídeos foram gravados com óculos inteligentes da Meta, o que permitiu a documentação discreta do movimento no interior da área verde. Assim que o investigador entrou no bosque, começou a receber propostas de cunho sexual.
Em outro momento, um frequentador questionou se ele teria ido até ali para “brincar” e disse: “Eu vim direto do trabalho, nem fui em casa. Não trouxe proteção, mas a gente brinca”.
Em uma terceira abordagem registrada, o cinegrafista perguntou a um homem se ele queria fazer um “bem bolado”, expressão usada no local para sugerir um encontro sexual rápido.
Entretanto, o homem ficou desconfiado, aproximou-se de outro frequentador e ambos deixaram a mata.
Parlamentar aponta problema em vários parques
Segundo o vereador João Bettega, a situação do Bosque do Trabalhador não é um caso isolado. Ele afirma que parques da cidade se tornaram, ao longo dos anos, pontos conhecidos para esse tipo de prática.
Dessa forma, famílias ficariam impedidas de usar o espaço público com tranquilidade.
“Já fiscalizamos o Parque Atuba, na região norte de Curitiba, e agora o Bosque do Trabalhador, que é um parque imenso onde é tolerado esse tipo de prática sexual de homens que vão até o local para fazer sexo no meio do mato”, declarou o parlamentar.
Tráfico de drogas aumenta insegurança
Além das práticas sexuais, o vereador aponta outro problema grave no local: segundo ele, o bosque se tornou ponto de venda de drogas, o que agrava ainda mais a sensação de insegurança na região.
Por consequência, a população evita frequentar o espaço, mesmo durante o dia. Além disso, a situação chama atenção porque o Bosque do Trabalhador recebeu R$ 170 mil em recursos públicos para revitalização em 2023.
Conforme a Prefeitura de Curitiba, as intervenções incluíram troca de areia, limpeza e roçadas. Entretanto, moradores e o vereador afirmam que problemas estruturais e de segurança continuam presentes no local.
Histórico de crimes graves
O bosque também foi cenário de crimes violentos nos últimos anos. Em setembro de 2021, um homem foi encontrado em estado grave dentro da mata, com as mãos amarradas e ferimentos sérios na cabeça.
Já em 2024, autoridades localizaram um cadáver em avançado estado de decomposição próximo ao córrego que corta a área.
Prática configura crime
Praticar sexo em locais públicos pode configurar o crime de ato obsceno, previsto no artigo 233 do Código Penal.
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A legislação estabelece pena que varia de três meses a um ano de detenção ou multa para quem comete essa infração. Portanto, as práticas registradas no bosque podem resultar em responsabilização criminal dos envolvidos.


