A operação policial deflagrada na manhã de 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, deixou um saldo estimado de mais de 130 mortos, segundo cruzamento de dados entre o governo estadual e relatos de moradores. O governo do estado reconheceu 64 mortos, incluindo quatro policiais, mas moradores reuniram outros 70 corpos na Praça São Lucas, na Penha — muitos com ferimentos a bala, facadas e pelo menos um decapitado.
A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) confirmou que 32 paraenses estão entre os 100 alvos da operação, acusados de coordenar crimes à distância a partir do estado. Segundo a Segup, os mandados foram encaminhados após a identificação de integrantes da facção Comando Vermelho com atuação simultânea no Pará e no Rio. “Entre os 100 alvos, 32 eram investigados paraenses, suspeitos de comandar crimes à distância”, informou a pasta.
O governador do Rio, Cláudio Castro, declarou nesta quarta-feira (29) que “tirando as vidas dos policiais, o resto foi sucesso”, acrescentando que “se tiver algum erro de classificação, ele com certeza é residual e irrisório”. A fala foi interpretada por críticos como um menosprezo à gravidade da letalidade da operação, considerada a mais violenta da história do estado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Contexto da Operação Policial
A operação, batizada de Operação Contenção, é também a primeira de grande porte após o Supremo Tribunal Federal ter estabelecido, pela ADPF 635 (ADPF das Favelas), parâmetros para reduzir a letalidade policial. Apesar disso, o governo não confirmou se os agentes usavam câmeras corporais ou se todas as determinações da Corte foram seguidas.
Castro ainda acusou o governo federal de ter negado o envio de blindados ao estado, o que foi contestado por Brasília. O episódio arrastou o Palácio do Planalto para a crise e provocou uma reunião de emergência convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enviou uma comitiva ao Rio para apurar os fatos.
Investigações e Prisões
Segundo o governo estadual, 81 pessoas foram presas e nove ficaram feridas. As investigações continuam, e o número de mortos será atualizado apenas após a entrada dos corpos no Instituto Médico Legal (IML).
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