A Polícia Federal prendeu o ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, no âmbito da Operação Anomalia. A ação integra mais uma fase das investigações que apuram a atuação de um núcleo criminoso suspeito de negociar vantagens indevidas e vender influência para favorecer interesses do Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do estado.
Carracena havia sido indicado para o governo de Cláudio Castro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), embora haja divergência sobre essa indicação. O atual secretário estadual de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, também aliado de Flávio, afirma ter sido ele o responsável pela indicação. Em nota, o senador negou ter indicado Carracena ao cargo, mas não comentou sua relação com Fonseca. Esta é a segunda ordem de prisão contra o ex-secretário, que já se encontrava detido por outra acusação relacionada ao mesmo caso.
Advogado, Carracena também ocupou outros cargos públicos ao longo da carreira, como diretor de operações em uma autarquia municipal, presidente do Fundo Especial de Ordem Pública do Rio, presidente do Conselho Administrativo da Guarda Municipal da capital e integrante do Gabinete de Crise da cidade durante o período da pandemia.
Além dele, a operação cumpre três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro, além de medidas cautelares, como o afastamento de funções públicas. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os presos está o delegado federal Fabrizio José Romano.
De acordo com a Polícia Federal, os elementos reunidos na investigação indicam que os envolvidos teriam estruturado uma associação criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública e ao favorecimento de interesses ligados ao tráfico de drogas.
Força-Tarefa Missão Redentor II
A operação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, criada em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635, com o objetivo de garantir uma atuação coordenada da Polícia Federal na produção de inteligência e no combate aos principais grupos criminosos violentos no estado do Rio de Janeiro, especialmente em investigações que envolvam conexões entre organizações criminosas e agentes públicos.
Conexão com Gutemberg Fonseca
Mensagens obtidas pela Polícia Federal em novembro do ano passado, durante a Operação Zargun, revelaram diálogos que indicariam tentativas do Comando Vermelho de influenciar o policiamento no Rio por meio de contatos com Gutemberg Fonseca. Em uma das conversas, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão” e apontado como integrante da facção, relatou a Carracena que havia se reunido com Fonseca para apresentar demandas e solicitar o que chamou de “cobertura política”.
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