Uma nova etapa da legislação brasileira voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital começa a valer no país. A partir de 17 de março, entra em vigor o chamado ECA Digital, atualização das diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) voltada especificamente para o uso da internet e das plataformas digitais. A mudança amplia o debate sobre segurança online, uso de redes sociais por menores de idade e responsabilidade das empresas de tecnologia na proteção desse público.
A proposta adapta normas de proteção já existentes à realidade da internet. Na prática, o ECA Digital estabelece novas exigências para empresas que operam plataformas digitais no Brasil. Isso inclui redes sociais, aplicativos, jogos online e serviços de streaming. O objetivo é reduzir riscos a crianças e adolescentes e ampliar mecanismos de controle sobre conteúdos e interações no ambiente virtual.
Entre os principais pontos estão mecanismos mais rigorosos de verificação de idade, ferramentas de controle parental e medidas voltadas a restringir o acesso de menores a conteúdos inadequados. A legislação também reforça a necessidade de que empresas de tecnologia desenvolvam recursos capazes de ampliar a segurança de usuários menores de idade.
O impacto do ECA Digital
Para a advogada Priscila Zoghbi, doutora em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), a nova regulamentação busca aproximar a legislação brasileira das transformações provocadas pelo avanço das plataformas digitais. “O ECA Digital surge como uma resposta à mudança no comportamento social causada pela internet. Crianças e adolescentes passam grande parte do tempo conectados e a legislação precisa acompanhar essa realidade”, afirma.
Segundo ela, um dos principais pontos da atualização está na responsabilidade atribuída às empresas que administram plataformas online. “As plataformas deixam de ser apenas intermediárias e passam a ter um papel mais ativo na proteção de usuários menores de idade. Isso envolve mecanismos de verificação de idade, políticas mais claras e ferramentas que reduzam a exposição a conteúdos inadequados”, explica.
A especialista também destaca que a nova legislação reforça a importância da participação das famílias no acompanhamento da vida digital dos jovens. “A lei cria parâmetros e exige medidas das empresas, mas a proteção efetiva depende também do diálogo dentro de casa. Pais e responsáveis precisam acompanhar o uso das redes sociais e orientar crianças e adolescentes sobre riscos e comportamentos seguros”, diz.
A importância da educação digital
Para Priscila Zoghbi, a regulamentação também amplia o debate sobre educação digital no país. “A internet trouxe inúmeras oportunidades, mas também novos riscos. A legislação ajuda a estabelecer limites e responsabilidades, mas é fundamental investir em educação digital para que crianças e adolescentes aprendam a navegar com segurança”, conclui.
O post ECA Digital entra em vigor no Brasil e amplia proteção de crianças e adolescentes na internet apareceu primeiro em Diário do Pará.


