Um relatório da Polícia Federal revelou conversas entre o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) e o cantor Wesley Safadão durante investigação sobre um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares, fraudes em licitações e financiamento ilegal de campanhas eleitorais no Ceará. Apesar das mensagens encontradas, o artista não é investigado no caso.
Segundo a PF, as conversas estavam no celular do parlamentar e mostram que Júnior Mano solicitou patrocínio de R$ 200 mil a uma empresa ligada a Safadão. O pedido ocorreu pouco depois de a prefeitura de Nova Russas contratar o cantor para um show no evento Festeja Nova Russas. Na época, o contrato foi firmado por R$ 900 mil. No ano seguinte, o artista voltou ao evento com cachê de R$ 1,2 milhão.
A Polícia Federal avalia que o pedido de patrocínio pode ter sido uma tentativa de devolução de parte do valor pago pelo show, caracterizando uma “solicitação camuflada de propina”. A cidade é administrada por Giordanna Mano (PRD), esposa do deputado e prefeita do município.
Em outra conversa citada no relatório, Júnior Mano pede ao ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que acelere a liberação de duas aeronaves do cantor pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O parlamentar afirma que pretendia usar um dos aviões durante a campanha eleitoral.
As investigações também identificaram trocas de mensagens entre o deputado e Yvens Watilla, irmão de Safadão e responsável pela administração da carreira do artista. Nos diálogos, eles discutem apoios políticos em municípios do interior do Ceará e mencionam movimentações financeiras relacionadas a campanhas.
Investigação e o esquema de desvio
O relatório integra uma investigação mais ampla da Polícia Federal sobre um suposto grupo criminoso que teria atuado na negociação de emendas parlamentares e no direcionamento de contratos públicos. A PF aponta que o esquema seria liderado pelo deputado Júnior Mano e pelo ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), que está foragido há mais de um ano.
De acordo com os investigadores, o grupo direcionava recursos federais para prefeituras aliadas e cobrava uma porcentagem das emendas parlamentares, que variava entre 12% e 15%. Parte desse dinheiro, segundo a apuração, teria sido usada para enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas eleitorais.
A investigação também indica que empresas ligadas ao esquema obtinham contratos com prefeituras após as eleições, criando um ciclo de favorecimento político e financeiro. Levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que nove empresas citadas no relatório receberam cerca de R$ 455,5 milhões de prefeituras cearenses entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.
Relação com prefeituras e envolvimento de Wesley Safadão
A Polícia Federal identificou ainda uma lista com 71 prefeituras que teriam relação política com o deputado. Em aproximadamente 50 delas, candidatos apoiados pelo grupo foram eleitos. Ainda não há confirmação se todos receberam recursos do suposto esquema.
Em nota enviada à imprensa, Wesley Safadão afirmou que não possui qualquer envolvimento político com os citados na investigação. O cantor disse que a troca de mensagens mencionada se refere apenas a um pedido de patrocínio, prática comum no setor de eventos e entretenimento. Ele ressaltou que não participou de articulações políticas nem de decisões institucionais.
A defesa de Júnior Mano afirmou que a investigação não encontrou elementos relevantes contra o parlamentar. Os advogados também criticaram o vazamento de informações sigilosas do processo e disseram que o deputado não participa de licitações nem controla a aplicação final de recursos federais.
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