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sábado, março 14, 2026

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Anvisa pede ajuda internacional para trazer antídoto do metanol ao Brasil

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Casos de intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas têm acendido um sinal de alerta em todo o Brasil. O consumo de produtos contaminados com metanol, uma substância altamente tóxica, vem resultando em hospitalizações, investigações e medidas emergenciais por parte das autoridades de saúde e segurança. Embora o problema não seja novo, a gravidade do surto atual exige respostas rápidas e coordenadas — tanto no Brasil quanto no exterior.

Diante desse cenário, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deu início a uma força-tarefa que inclui a mobilização de autoridades reguladoras internacionais para viabilizar a importação de um antídoto eficaz contra a substância: o fomepizol.

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Até o momento, o país já contabiliza 59 casos de intoxicação por metanol, sendo 11 confirmados por exames laboratoriais e 48 ainda em investigação. A origem mais provável das ocorrências está no consumo de bebidas alcoólicas falsificadas, produzidas ou comercializadas de forma clandestina e sem controle sanitário.

Em resposta à ameaça, a Anvisa acionou formalmente agências reguladoras de diversos países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, União Europeia, Japão, Argentina, México, China, Suíça e Austrália, em busca de autorização para a comercialização do fomepizol no Brasil — já que o medicamento ainda não possui registro sanitário no país.

Fomepizol

O fomepizol é um antídoto usado internacionalmente no tratamento de intoxicações por metanol e etilenoglicol, com eficácia reconhecida em casos de envenenamento agudo. Como o medicamento não está disponível no Brasil, a Anvisa também publicou um edital de chamamento público para identificar fabricantes e distribuidores internacionais com capacidade de fornecimento imediato, com o objetivo de atender à demanda do Sistema Único de Saúde (SUS).

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Alternativa emergencial

Enquanto busca importar o antídoto oficial, a Anvisa identificou mais de 600 farmácias de manipulação com capacidade técnica para preparar etanol em grau de pureza adequado para uso médico. Segundo a agência, esse produto pode atuar como alternativa terapêutica temporária ao fomepizol, caso não haja disponibilidade imediata do medicamento.

Rede laboratorial e suporte técnico

Para garantir agilidade nas análises, a Anvisa também vem apoiando a Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Sanitária. Três laboratórios foram destacados com capacidade para realizar testes em amostras suspeitas de contaminação por metanol: o Lacen/DF, o Laboratório Municipal de São Paulo e o INCQS/Fiocruz.

Além disso, está sendo organizado um fluxo de coleta e envio de amostras para análise rápida, fundamental para a confirmação dos casos e rastreamento das fontes de contaminação.

Sala de Situação

O Ministério da Saúde, por sua vez, criou uma Sala de Situação para acompanhar em tempo real os desdobramentos do surto. A equipe técnica da sala será responsável por monitorar, planejar, coordenar e controlar as medidas de resposta, além de avaliar o impacto sanitário da crise.

Essa estrutura funcionará em caráter extraordinário, mantendo-se ativa enquanto houver risco sanitário relacionado à ingestão de bebidas adulteradas.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública também acompanha os casos e já associa as ocorrências ao comércio clandestino de bebidas alcoólicas. Operações de fiscalização vêm sendo realizadas em todo o país, com interdições, apreensões e investigações em curso.

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