Lucas Quirino e Andressa Ferreira/DOL – Em meio à movimentação intensa de chefes de Estado, delegações estrangeiras e jornalistas de todo o mundo, um grupo silencioso, porém essencial, tem garantido o bom andamento da COP30 e da recente Cúpula dos Líderes em Belém: os voluntários. São jovens, adultos e idosos que, movidos pelo desejo de contribuir para um evento histórico, vêm mostrando na prática o poder da colaboração e do engajamento cidadão.
Entre eles está Solana Bosquilia, professora do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Pará (UFPA) e umas das supervisoras de voluntários. Ela coordenou diretamente 100 dos 1.400 voluntários que atuaram na Cúpula dos Líderes, evento preparatório para a Conferência do Clima. Segundo Solana, o grupo foi selecionado pelo Itamaraty e teve funções fundamentais, divididas em seis áreas.
“Eles auxiliaram na plenária, no protocolo, chamando representantes dos países, organizando bandeiras e cumprindo o rigor das cerimônias. Também havia equipes em reuniões bilaterais, credenciamento, alimentação e bebidas, e até no monitoramento de espaços como banheiros e áreas comuns”, explicou.

O trabalho, no entanto, começou meses antes do evento. De acordo com Solana, os voluntários passaram por três meses de treinamento intensivo, iniciado em junho, que abordou desde o funcionamento da COP e seus protocolos, até noções de sustentabilidade e conduta ética da ONU. “Eles estudaram temas como meio ambiente, ODS, ISOs e os códigos de conduta da ONU. Saíram muito capacitados, tanto em conhecimento ambiental quanto em postura profissional”, destacou.
A diversidade e inclusão também foram pontos marcantes do programa. “Temos voluntários de 16 a 72 anos, com diferentes formações, experiências e motivações. É uma riqueza humana enorme que reflete o espírito da COP: união e propósito coletivo”, acrescentou a supervisora, que é paranaense, mas mora em Belém há 11 anos.

Entre os rostos entusiasmados do grupo está o de Enny Costa, de 22 anos, estudante de Administração e uma das voluntárias da COP30. Para ela, a experiência vai além do aprendizado técnico. “Desde que anunciaram que a COP seria em Belém, eu ficava acompanhando tudo e pedindo o edital para me inscrever. Queria muito participar, tanto pela questão ambiental quanto pela oportunidade de crescimento profissional. Trabalhar em um evento da ONU é algo que marca o currículo e a vida”, contou.

Enny também participou da Cúpula dos Líderes e descreve o momento como transformador. “Foi incrível, uma experiência que muda o olhar das pessoas. A gente conheceu pessoas que só via pela televisão, figuras importantes que agora estão ali, próximas, interagindo com a gente. Isso motiva demais a continuar contribuindo”, disse, emocionada.
Agora, com o início oficial da COP30, o grupo de voluntários se multiplica para atender à escala muito maior do evento, que reúne milhares de participantes e observadores de mais de 190 países. O desafio é grande, mas o entusiasmo — e o comprometimento — parece ainda maior.
Para Solana Bosquilia, o saldo é positivo e o aprendizado, imensurável. “Esses voluntários estão vivendo um momento histórico, adquirindo experiências únicas e deixando uma contribuição concreta para o mundo. Eles são o coração da COP30 em Belém”, finaliza.
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