Laura Vasconcelos/DOL – Quem passa pelos corredores movimentados da Green Zone da COP30, em Belém, se depara com muitos artistas indígenas brasileiros e estrangeiros que transformam o espaço em uma grande vitrine de saberes tradicionais, atraindo a atenção de turistas e visitantes.
Entre eles está Leonardo Wai-Wai, morador de Oriximiná, no Oeste do Pará, que trouxe parte da produção artesanal de sua comunidade para apresentar ao público do maior evento climático do planeta.
Leonardo conta que a ida à conferência teve o propósito de mostrar a cultura do povo Wai-Wai e valorizar o trabalho coletivo na produção de artes indígenas.
“Eu me motivei a vir para cá para mostrar nossa cultura, nosso trabalho também. É feito de morotó, a gente chama de morotó. A gente faz miçanga, que é trabalho das mulheres. E os homens fazem colar, brinco, pau de cabelo e cocar também”, explica.
Além disso, o artesão destaca que a COP30 também foi uma oportunidade de conhecimento para o grupo. “A gente veio para cá para conhecer como era a COP e a gente não sabia ainda. Agora a gente conheceu como é o evento”, diz.
Movimento intenso e boas vendas
Segundo Leonardo, a circulação de visitantes, brasileiros e estrangeiros, tem garantido um bom volume de vendas ao longo dos dias de conferência e do espaço aberto ao público. “O movimento tá ótimo pra gente, pra voltar para nossa cidade, nossa comunidade”, afirma.
A renda obtida no evento é essencial para a sustentabilidade do trabalho dos artesãos e para o próprio deslocamento até Belém, que exige longas viagens e altos custos.
“Ajuda bastante pra gente comprar outros materiais. O caminho da nossa viagem é longo, e o combustível é muito caro. Nosso gasto de gasolina é quase 200 litros”, explica.
A procura por peças artesanais surpreendeu o grupo. Leonardo conta que a clientela é variada e inclui visitantes de vários países.
“Os estrangeiros compram, os daqui de Belém também, de todo o Brasil. Todo mundo compra”, diz com satisfação.

Artesãos estrangeiros também expõe artes na COP30
Quem também se encontra na Greenzone é a artesã indígena venezuelana Mariluz que expõe, com orgulho, as peças produzidas por sua comunidade. Para ela, participar do evento não é apenas uma oportunidade de renda, mas também uma forma de reafirmar identidade cultural e dar visibilidade às realidades enfrentadas pelos povos originários da América Latina.
“Vim aqui para vender meus artesanatos porque não tenho um trabalho formal. A venda do nosso artesanato é a nossa cultura e o nosso meio de rentabilidade mensal para as nossas famílias”, explica. A participação na conferência, segundo Mariluz, tem impacto direto na sobrevivência de um pequeno coletivo de artesãos que ela coordena. “Tenho um grupo de artesãos e artesãs, pelo menos cinco ou seis pessoas, e isso vai ajudar essas famílias”, afirma.
Além do sustento, ela destaca a importância do debate climático para povos que, como sua comunidade, sentem de forma mais intensa os efeitos das mudanças no meio ambiente. “Para esta COP30, é um tema importante para os indígenas, mais que tudo, sejam de diferentes lugares, porque são os mais afetados”, afirma. Mariluz diz reconhecer o esforço global em busca de soluções, mas faz um apelo para que discursos se transformem em ações concretas. “Esperemos que de fato cumpram com o que deve ser feito”, completa.

Clientes estrangeiros apreciam a arte indígena
Entre os visitantes que compraram peças de artistas em exposição está Malik Mohamed Al-Wardy, turista de Omã, que compartilhou sua experiência ao conhecer o espaço e adquirir peças produzidas por povos originários.
Al-Wardy contou que buscar arte local já faz parte de sua rotina em todas as viagens que realiza. “Eu realmente gosto de arte local. Isso é algo que eu costumo fazer onde quer que eu vá. Eu sempre procuro pessoas locais, que tipo de arte elas fazem, e eu gosto de apoiar sempre comprando de pessoas locais para apoiar o trabalho delas e apoiar os negócios delas”, afirmou.
Na COP30, o turista encontrou na Greenzone a oportunidade de conhecer de perto o trabalho de artesãos indígenas brasileiros e estrangeiros que expõem suas peças durante o evento. Para ele, adquirir esses itens é uma forma concreta de valorizar modos de vida tradicionais e contribuir para a sustentabilidade econômica das comunidades. “É por isso que eu sempre vou e tento escolher algumas coisas aqui e ali para comprar delas, seja daqui ou de fora”, concluiu.

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