25 C
Belém
sábado, março 7, 2026

Descrição da imagem

Países africanos mostram força e soluções climáticas na COP30

Data:

Descrição da imagem

Lucas Quirino/DOL – A crescente participação dos países africanos na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) tem revelado um movimento organizado, diverso e robusto de nações que, embora historicamente mais vulneráveis aos impactos climáticos, vêm ampliando sua capacidade de resposta e apresentando soluções inovadoras para adaptação, mitigação e restauração ambiental.

Entre os pavilhões dos países presentes na Blue Zone, há um corredor específico denominado “Africa Pavilion”, com destaque para os painéis e mostras técnicas de Senegal, Costa do Marfim e Libéria, chamando a atenção de especialistas e representantes de organismos internacionais pela clareza das metas e pela dimensão dos investimentos anunciados.

Foto: Lucas Quirino/DOL

No estande do Senegal, o destaque foi é um novo compromisso climático adotado pela nação que dá continuidade ao plano nacional anterior e projeta reduções de emissões de pelo menos 34% até 2035. O país aposta em uma estratégia que une processos industriais mais limpos, expansão das energias renováveis, melhoria da gestão de resíduos e ampliação da captura de carbono por meio da agricultura e da silvicultura. O governo senegalês também enfatiza medidas de adaptação, com fortalecimento da resiliência dos ecossistemas, aprimoramento de redes de observação climática e implementação de mecanismos multissetoriais para enfrentar eventos extremos.

Pavilhão do Senegal. Foto: Lucas Quirino/DOL

Já a Costa do Marfim apresentou seu Programa de Restauração Sustentável das Florestas (PRDF-CI), que busca recuperar 170 mil hectares e reverter o processo de degradação que reduziu drasticamente a cobertura vegetal do país nas últimas décadas. A meta é retomar 20% de cobertura florestal até 2030, como parte da Estratégia de Preservação, Reabilitação e Expansão das Florestas (SPREF). O discurso marfinense reforça que restaurar, proteger e valorizar os recursos florestais é fundamental não apenas para conter as emissões, mas para assegurar um futuro econômico e socialmente sustentável.

Pavilhão da Costa do Marfim. Foto: Lucas Quirino/DOL

A Libéria, por sua vez, chegou à COP30 com múltiplos projetos estruturantes. Um deles, focado na resiliência das comunidades costeiras do condado de Sinoe, que enfrenta um dos maiores desafios do país: erosão, inundações e avanço do nível do mar. Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a iniciativa prevê obras de proteção costeira, soluções de adaptação híbrida e treinamento de mais de mil famílias em alternativas de subsistência resilientes ao clima. O projeto deve beneficiar mais de 569 mil pessoas até 2028.

Pavilhão da Libéria. Foto: Lucas Quirino/DOL
Pavilhão da Libéria. Foto: Lucas Quirino/DOL

Outro programa liberiano, desenvolvido em parceria com o governo da Suécia, busca proteger as florestas e a biodiversidade, abrangendo áreas preservadas que representam 68% do território nacional e integram um dos mais importantes hotspots de biodiversidade da África. A iniciativa fortalece a gestão comunitária, aprimora práticas agrícolas, equipa guardas florestais e apoia pequenos produtores com recursos e capacitação, beneficiando comunidades locais e reforçando a governança ambiental.

E por fim, no pavilhão de Serra Leoa, um dos negociadores do país é Gabriel Kpaka, que reforçou o desejo de que que Belém seja lembrada como um marco nas negociações climáticas. ]

“Um lugar onde cada item da agenda possa ser adotado de forma justa, garantindo resultados equilibrados e sustentáveis para todos”, completou.

Com desafios comuns — como desmatamento, vulnerabilidade costeira, pressão agrícola e falta de infraestrutura —, mas estratégias adaptadas às realidades de cada território, os países africanos vêm mostrando que a construção de soluções climáticas eficazes passa necessariamente por políticas articuladas, investimentos robustos e participação comunitária. A presença destacada do continente na COP30 evidencia um movimento em ascensão: o de nações que não querem apenas ser ouvidas sobre seus riscos, mas reconhecidas por suas respostas.

O post Países africanos mostram força e soluções climáticas na COP30 apareceu primeiro em RBA NA COP.

Compartilhe

Descrição da imagem

Mais Acessadas

Descrição da imagem