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domingo, março 8, 2026

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Negociador-cefe do Brasil na COP 30 faz balanço positivo da Cúpula dos Líderes

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Lucas Contente/DOL – O negociador-chefe do Brasil na COP30, embaixador Maurício Lyrio, fez um balanço sobre os resultados da Cúpula dos Líderes, evento preparatório para a conferência do clima que começa nesta segunda-feira (10), em Belém.

Segundo Lyrio, um dos principais avanços foi o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund – TFFF), aprovado com o apoio de 55 países. O fundo reconhece o papel das florestas tropicais na prestação de serviços ambientais e prevê remuneração para ações de preservação e conservação.

“Ficamos muito satisfeitos com o fato de que houve a aprovação da ideia de que as florestas prestam serviços ambientais e, portanto, precisam ser remuneradas. Tivemos o apoio de 55 países à declaração — lançada ontem — e já contamos com aportes financeiros significativos”, afirmou o embaixador.

De acordo com Lyrio, o objetivo inicial era arrecadar US$ 10 bilhões em um ano, mas o resultado parcial já surpreendeu. “Somente ontem, tivemos compromissos que somam US$ 5,5 bilhões”, destacou. Ele acrescentou que o resultado reforça o caráter prático da cúpula. “Como deseja o presidente Lula e todos nós, trata-se de uma cúpula com resultados concretos, capazes de fazer diferença real na vida das pessoas, especialmente na preservação e conservação das florestas.”

Desafio nas negociações climáticas

Ao comentar os desafios que o Brasil deve enfrentar nas negociações da COP30, Lyrio apontou como principal obstáculo a necessidade de ampliar a ambição dos países nas metas de redução de gases de efeito estufa.

“O ponto mais difícil é convencer os países a serem mais ambiciosos nas metas de redução e a implementarem de forma mais rigorosa esses compromissos. O presidente tem insistido que precisamos ter a mesma capacidade de implementar compromissos que temos de criá-los”, afirmou.

O diplomata alertou ainda para a lentidão de muitos países em apresentar novas contribuições climáticas nacionais. “Ao longo do ano, vimos compromissos pouco ambiciosos e em número abaixo do esperado. Isso nos preocupa. Esta é mais uma oportunidade para o Brasil tentar convencer os demais países a reduzirem suas emissões de forma efetiva”, disse.

Aquecimento global e riscos futuros

Lyrio também chamou atenção para os efeitos já observados do aquecimento global, reforçando a urgência de medidas concretas. “Qualquer décimo de grau na temperatura hoje faz diferença. Já com 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, temos presenciado tragédias — enchentes devastadoras, secas e furacões”, afirmou.

As projeções atuais indicam um aumento médio de temperatura entre 2,3°C e 2,8°C até o fim do século. “É possível imaginar o risco que corremos ao não reduzir a concentração de carbono na atmosfera”, concluiu o negociador.

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