Júlia Marques/DOL – No último dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), nesta sexta-feira (21), a Blue Zone, área mais restrita do evento, onde circulam ministros, chefes de delegação e negociadores, foi tomada por um ato que rapidamente virou o centro das atenções no corredor principal. Um grupo de ativistas ocupou o espaço entoando palavras de ordem e levantando faixas que cobravam compromissos climáticos mais ambiciosos, justos e urgentes no encerramento da conferência.
Em ritmo crescente, o grupo puxava o coro: “O que nós queremos? Transição justa! Quando nós queremos? Agora!.“Se não conseguirmos… parem tudo!”, deixando evidente a tensão que marca esta reta final das negociações.
A mobilização reunia pessoas de diferentes países. Eles carregavam cartazes com mensagens diretas, como “Resistir ao caos climático”, “Mantenham o limite de 1,5°C vivo”, “Respeitem os direitos indígenas”, “Eliminação dos combustíveis fósseis já” e “Mantenham as florestas em pé”. Além disso, uma grande faixa, colorida e coberta de assinaturas era o destaque principal e tinha escrito: “A transição justa está crescendo”.
No chão, outros banners reforçavam o recado. Um deles, vermelho, alertava: “1,5°C É O LIMITE LEGAL”, referência à meta máxima de aquecimento global permitida pelo Acordo de Paris. Outro, azul, afirmava: “Não existe transição justa sem os direitos e a participação de trabalhadores e povos”, ressaltando que mudanças estruturais na economia só podem acontecer com quem vive os impactos na linha de frente.
Durante o ato, uma das porta-vozes discursou ao microfone e falou da lentidão das negociações e do risco de a COP30 terminar sem avanços concretos. “Há muitas delegações discutindo se vamos ou não estabelecer compromissos claros. Esta conferência não pode sair daqui com promessas vazias”, afirmou. Para ela, o atual sistema multilateral “está falhando e desmoronando” e precisa ser reformulado para responder às pessoas que garantem o funcionamento da sociedade todos os dias.

Ela destacou ainda o papel essencial dos trabalhadores que sustentam serviços básicos em meio às desigualdades históricas. “Por todos que eletrificaram nossas casas, que alimentam nossas famílias, que cuidam de cada um de nós em territórios historicamente explorados e poluídos. O tempo da justiça é agora”, destacou.
A manifestação atraiu a atenção das pessoas que passavam pelo local, aumentando a pressão sobre os países nas horas finais da conferência. Em uma COP marcada por debates sobre financiamento climático, abandono dos combustíveis fósseis e proteção de comunidades vulneráveis, a mobilização desta manhã representou um dos principais recados da sociedade civil: qualquer acordo firmado em Belém precisa ser real, aplicável e socialmente justo.
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