Lucas Quirino/DOL – A reunião ministerial de alto nível da COP30 (Conferência do Clima das Nações Unidas), em Belém, desta segunda-feira (17), ganhou novo fôlego com discursos contundentes de líderes internacionais, que defenderam mais ambição, cooperação e implementação urgente das metas climáticas — especialmente diante da escalada dos impactos globais do aquecimento. As falas reforçaram o clima de pressão que marca a segunda e decisiva semana da conferência.
A terceira vice-presidente da Espanha e ministra para a Transição Ecológica, Sara Aagesen, destacou que o mundo vive “uma emergência climática que já se traduz em crises de saúde, eventos extremos e perdas humanas e materiais crescentes”. Aagesen lembrou que, nos 10 anos desde o Acordo de Paris, houve avanços importantes — como a expansão global das energias renováveis —, mas alertou que “cada décimo de grau conta”, especialmente para países que enfrentam secas, incêndios e ondas de calor cada vez mais severas.
Aagesen reforçou que a Amazônia, palco da COP30, simboliza tanto a urgência quanto o potencial da ação climática: “O pulmão do planeta está sofrendo, e isso exige políticas públicas que preencham lacunas e acelerem a transição”. A ministra cobrou que a COP30 entregue prosperidade compartilhada, com foco especial nas populações vulneráveis.
O ministro do Clima da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, afirmou que o Acordo de Paris “está funcionando”, mas precisa ser rapidamente reforçado. A Noruega anunciou atualização de sua NDC para 2035, aumentando a meta de redução de emissões para 70%–75% em relação a 1990, em parceria com a União Europeia.
Eriksen também destacou o compromisso histórico de seu país com o financiamento climático. A Noruega ampliará novamente — pela terceira vez — suas contribuições para dobrar os recursos destinados a países em desenvolvimento até 2026. Ele anunciou ainda investimentos de até US$ 3 bilhões, ao longo de 10 anos, para combater o desmatamento tropical, além de até US$ 1,5 bilhão para apoiar reduções de emissões em países de baixa renda. “Precisamos honrar as promessas financeiras e acelerar a eliminação dos combustíveis fósseis até 2050”, disse.
Representando a República da Coreia, o ministro Kim Sung-hwan destacou que a ação climática global vive momento crítico: “A janela de oportunidade está se fechando rapidamente”. Ele lembrou que 2023 já ultrapassou 1,6°C de aquecimento e que os níveis de CO₂ estão em patamar recorde.
A Coreia apresentou sua nova NDC para 2035 e anunciou a criação de um superministério que unifica políticas de clima, energia e meio ambiente, responsável por setores que representam 70% das emissões nacionais. O país afirma que essa integração acelerará sua trajetória rumo à neutralidade de carbono até 2050.
O ministro reforçou que o esforço coreano segue alinhado à meta global de 1,5°C e disse que o país pretende desempenhar papel “preponderante” na transição verde: “Assim como nos reerguemos das devastação da guerra, vamos contribuir para enfrentar a crise climática com coragem e determinação.”
As falas convergiram em um ponto central: a COP30 não pode ser apenas mais uma etapa de negociação, mas sim um ponto de inflexão. Com a ciência indicando rápida deterioração do clima e com países pressionados por seus próprios eventos extremos, cresce o consenso de que esta conferência precisa acelerar o passo, fechar lacunas e entregar ações concretas para a próxima década — a mais decisiva para o futuro do planeta.
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