Mayra Monteiro/ DOL – Ao longo de toda a COP30, um ponto se destaca nos corredores, nas salas de negociação e nos pavilhões da Conferência da ONU sobre o Clima: a força de diferentes gerações que, lado a lado, buscam construir respostas para a crise climática. Dos mais experientes, carregando histórias que atravessam décadas de ativismo ambiental, aos jovens que vivem sua primeira grande conferência internacional, a COP deste ano expõe um encontro raro, e poderoso, entre memória, ação e futuro.
A filipina Cecília Guidote Alvarez, de 82 anos, diretora da Earthsavers e Artista da Paz da Unesco, é uma das vozes da experiência. Em uma cadeira de rodas, acompanhada por um voluntário, ela percorreu a Blue Zone reforçando uma mensagem que carrega desde a primeira Conferência das Partes, em 1995, há 30 anos.

“Salvar a Terra, que é a pátria da vida, é tarefa de todos, dos filhos aos mais velhos. Somos uma família. Há sabedoria na experiência dos cidadãos seniores, especialmente dos povos indígenas, que sabiam viver em paz com a Terra-Mãe. Nós esquecemos isso”, disse.
Para Cecília, a cultura é o elo que traduz a ciência climática para os que mais precisam entendê-la. “O pobre não entende 1,5ºC. Não entende ‘responsabilidades comuns, porém diferenciadas’. Precisamos traduzir isso em poesia, música, dança, cinema, novela, para alcançar o coração e a mente. A emergência climática não pode esperar”, afirmou.
Ela também elogiou a acessibilidade da conferência:
“Os voluntários têm sido muito prestativos. É importante que a COP ofereça espaço não só para os bonitos e saudáveis, mas para todos, indígenas, pessoas com deficiência, crianças de rua. Ninguém deve ficar para trás”.
Se a experiência de Cecília ecoa como memória viva das primeiras COPs, a energia da juventude também pulsava forte nos corredores do Hangar. A belenense Maria Clara Nogueira, de 21 anos, integra a força de trabalho da COP30 e vê o evento como um divisor de águas:
“É uma experiência primordial pra minha carreira. Eu nem precisei sair do país para participar de algo tão grande. Estou aprendendo muito, melhorando meu inglês e crescendo como pessoa”, contou.
Quando perguntada sobre qual mensagem gostaria que os visitantes levassem de Belém, Maria Clara não hesita: “Que somos um povo acolhedor, educado e que tratamos bem quem chega aqui.”
Também de Belém, Elana Lima, 22, estudante de turismo, vive a COP como oportunidade profissional única. Atuando no escritório de relações externas e protocolo, ela destaca o impacto direto da conferência em sua formação: “Estou fazendo muito networking e melhorando meu inglês. Participar de debates que vão definir o futuro do planeta é algo que talvez eu nunca viva novamente.”
Elana lembra ainda que sentir Belém cada vez mais quente reforça a urgência do tema: “Precisamos discutir como melhorar o clima da cidade, cuidar das florestas e garantir um futuro para as próximas gerações”, reforçou
No setor de reservas da conferência, Ana Mikaele, 21, estudante de Fisioterapia, vive seu primeiro contato real com o inglês e com um evento global. Para ela, participar da engrenagem da COP30 por dentro é transformador:
“Eu sabia que a COP era importante, mas estar na força de trabalho, ver as negociações, marcar reuniões e acompanhar tudo de perto é muito mais gratificante. Mesmo não sendo ambientalista ou diplomata, sinto que faço parte disso. E isso é muito bom”, relatou.

A convivência entre veteranos e estreantes, entre a experiência de Cecília e o entusiasmo de jovens como Maria Clara, Elana e Ana Mikaele, mostra que a luta climática é uma causa intergeracional. A COP30, em Belém, tem sido palco não apenas de grandes negociações, mas também de encontros humanos que reafirmam um princípio essencial: o futuro do planeta só será possível se passado, presente e futuro caminharem juntos.
O post Da experiência à juventude: COP30 une diferentes gerações em defesa do planeta apareceu primeiro em RBA NA COP.


