O quinto dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) manteve a Green Zone como um dos espaços mais movimentados do evento, em Belém. Aberta ao público, a área recebe estudantes, famílias e visitantes de diferentes estados e países, que circulam entre estandes, participam de palestras e conhecem iniciativas voltadas ao meio ambiente, ciência e cultura amazônica.
Entre os visitantes, jovens de diferentes áreas de formação destacaram a importância de a COP ser realizada na Amazônia — tanto pela visibilidade internacional quanto pelo potencial de transformação que o evento pode gerar.
Legado para Belém: saneamento, saúde e educação
Para Romário Rosa, 24 anos, estudante do 7º semestre de Geografia da Universidade Federal do Pará (UFPA), a realização da COP30 em Belém é “um marco” para o estado e para o país. Ele afirma que o evento evidencia tanto os avanços quanto os desafios estruturais da capital.
“Belém está ganhando uma visibilidade muito grande, algo que há muito tempo não tinha. A COP é extremamente importante, principalmente pelo legado que pode deixar na cidade — em saneamento básico, saúde e educação”, avalia.
Romário afirma que a presença do evento na Amazônia é fundamental para que o mundo conheça a realidade local. “Aqui temos muitos problemas sociais e estruturais, muito esgoto a céu aberto. São questões que muita gente só percebe quando chega aqui. Mas também temos coisas boas para mostrar”, diz.

Ele também comenta o preconceito que percebeu desde o anúncio da sede da conferência. “Muita gente do Sul e Sudeste questionou por que seria aqui, e não em São Paulo ou no Rio. O preconceito foi total.”
Para o estudante, o pós-COP deve ser acompanhado de perto pela população. “Eu espero que as melhorias não fiquem só durante o evento. Que haja continuidade.”
“O mundo precisa olhar para as pessoas, não só para as árvores”
O acadêmico de Enfermagem Gabriel Fernandes, 25 anos, também visitou a Green Zone. Morador do Parque Verde, ele ressalta que o debate climático deve ser integrado à saúde pública, especialmente em regiões isoladas da Amazônia.
“No curso, a gente trabalha muito com saúde em áreas de difícil acesso, incluindo povos originários. Então, ver o mundo discutindo não só natureza, mas como os efeitos climáticos impactam a saúde das pessoas, é muito significativo”, afirma.
Gabriel destacou o estande do Instituto Evandro Chagas como um dos mais interessantes, após acompanhar uma palestra sobre a história e atuação da instituição. Ele também valorizou a presença dos povos indígenas na área pública da COP.
“É muito legal ver a arte e a cultura dos povos originários circulando. Isso representa a Amazônia de verdade.”

Sobre as expectativas em relação ao evento, o estudante afirma ter se surpreendido. “Houve muito preconceito. Muita gente não acreditava que Belém conseguiria sediar. Até pessoas daqui. Mas está tudo muito bonito e organizado. Vim ver com meus próprios olhos.”
Primeira COP: nova experiência para adolescentes visitantes
A COP30 também tem sido espaço para visitantes mais jovens, como Karoliny Eduarda, 16 anos, que foi à Green Zone acompanhada da tia.
Tímida durante a entrevista, ela destacou que a conferência representa uma experiência inédita. “É tudo novo para mim, eu quase não saio. Está sendo legal conhecer o espaço, ver os estandes e tudo que está acontecendo.”

Com programação diversificada, a Green Zone tem reunido moradores de Belém, visitantes de outros estados e estrangeiros interessados em conhecer iniciativas amazônicas. Os relatos mostram que, para além dos debates técnicos da conferência, o evento se tornou um ponto de encontro entre culturas e perspectivas sobre o futuro da região.
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