Lucas Quirino/DOL com informações do UOL – A 30ª Conferência das Nações sobre Mudanças Climáticas (COP30) entra nesta segunda (17) na fase de decisões em Belém, sob a expectativa de que, finalmente, os países avancem das promessas para a prática. Depois de dez anos de debates sobre implementação, desde o Acordo de Paris, o encontro na Amazônia chega ao momento em que a diplomacia climática deixa os discursos de lado e busca construir o que realmente importa: um acordo político capaz de orientar a ação global no curto prazo. A partir de hoje, com a chegada de ministros do Meio Ambiente e demais representantes de alto nível, começa a fase em que o futuro do texto final será, de fato, decidido.
A abertura desta etapa contará com falas centrais do vice-presidente Geraldo Alckmin; do presidente da conferência, André Corrêa do Lago; do secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell; e de Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral da ONU. É o momento em que a conferência deixa de ser apenas análise técnica e entra no terreno das escolhas políticas — e das concessões.
Nesta edição da COP em Belém, a segunda semana gira totalmente em torno da implementação. Os países terão de definir como tornar concretos os compromissos firmados nos últimos anos e avançar sobre pontos sensíveis que, até aqui, permanecem sem solução. Para a presidência da COP30, este será o teste final de sua estratégia: separar, na primeira semana, os temas mais polêmicos para evitar travamentos e criar um ambiente de negociação mais produtivo.
A primeira etapa foi marcada por discussões técnicas e pelo esforço das delegações diplomáticas em preparar textos-base que facilitem os acordos políticos. No sábado, a plenária que marca a transição entre as duas fases reuniu a COP, a CMP e a CMA — os três pilares da estrutura da ONU para negociações climáticas — para revisar os relatórios dos grupos técnicos e consolidar os avanços.
Mesmo assim, quatro pontos centrais seguem fora da agenda formal: metas, financiamento, prestação de contas e medidas unilaterais de comércio. A manobra permitiu que os negociadores avançassem em mais de 100 itens da pauta oficial, mas deixou os temas mais sensíveis para decisões de ordem política ao longo desta semana.
Os sinais até agora indicam que esses pontos devem continuar fora da agenda formal e migrar para um possível pacote político, podendo resultar em uma decisão de capa — instrumento adotado paralelamente aos itens de negociação. Ainda assim, nada está fechado; a movimentação nos bastidores segue intensa, e qualquer mudança pode ocorrer até o último momento.
Em nota, a presidência da COP30 apresentou um raio-X das conversas paralelas, reorganizando os temas sensíveis em três grandes blocos e listando as diferentes propostas surgidas ao longo da primeira semana. O principal impasse continua sendo o financiamento climático: países divergem sobre a definição do novo objetivo global (o NCQG) e sobre a arquitetura necessária para cumprir a promessa de triplicar os recursos para adaptação.
“Agora, vamos aguardar como as partes vão reagir amanhã: prevejo reações fortes”, resume Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima. A segunda e decisiva semana da COP30 começa, portanto, sob tensão — e com a pressão crescente por resultados concretos.
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