EVERTON LOPES / BATISTA FOLHAPRESS – O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 (30ª conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima), indicou ontem (28) que o “climate high-level champion” do evento deve ser anunciado na próxima semana. Quem ocupa o cargo de “champion”, uma função tradicional em COPs, tem o papel de fazer a ligação entre o trabalho de governos e outros atores, como cidades, estados, empresas e investidores.
De acordo com as Nações Unidas, o foco dos champions deve estar em duas áreas principais: promover o engajamento e gerar mobilização, ajudando em encontros de especialistas e na coordenação de eventos para preparar as ações relacionadas à conferência.
“Deve sair na semana que vem. Tem de ser uma pessoa do mundo empresarial, com boas conexões internacionais, para fazer a ponte com o setor privado”, afirmou Corrêa do Lago.
Após a nomeação do “champion”, a liderança da COP30 ficará, finalmente, completa, com Corrêa do Lago na presidência e Ana Toni no cargo de diretora-executiva, ou CEO. Toni também é secretária nacional de Mudança do Clima no MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima).
Os nomes do presidente e da diretora-executiva, escolhidos pelo governo Lula (PT), foram anunciados em 21 de janeiro. A COP30 acontecerá entre os dias 10 e 21 de novembro deste ano, em Belém.
O presidente da conferência é o rosto do evento, o responsável por conduzir as negociações e os procedimentos para receber os demais negociadores. Segundo a Presidência da República, a COP30 tem mais de cem itens para discussão em sua agenda.
A diretora-executiva dá suporte na definição de diretrizes e na implementação de ações relacionadas à conferência. Ela também coordena frentes de trabalho do evento.
Corrêa do Lago participou de um evento na Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) na manhã de sexta-feira (28). O evento COP30 Business Forum reuniu representantes de empresas, governo e agências de desenvolvimento para discutir temas como sustentabilidade e transição energética.
URGÊNCIA
Durante sua apresentação, o presidente da COP30 ressaltou que a crise do clima pede urgência nas ações. “Houve uma aceleração da mudança do clima, que mostrou que, por mais que a ciência estivesse certa, ela estava mais otimista do que a realidade. As coisas estão acontecendo como o previsto, mas muito antes. Então, temos de acelerar as ações”, afirmou.
O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), e o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, também participaram do evento. Segundo Capobianco, ações em curso no país voltadas para a redução de emissões do desmatamento e para a incorporação de tecnologias de agricultura de baixo carbono fortalecem o Brasil para as negociações da COP30.
“Os grandes desafios para chegarmos [à COP30] ainda melhor são continuarmos o ciclo virtuoso de redução do desmatamento e implementarmos uma política de combate a incêndios muito rigorosa”, diz. “Mas acredito que o Brasil já está com uma agenda que coloca o país em uma posição de liderança, e isso dá legitimidade aos nossos negociadores para exigir mais dos outros países”, conclui.
O governador do Pará disse que, diante das urgências climáticas, é preciso ir além das intenções. “Elas não resolvem as urgências ambientais, e cabe aos líderes globais, sejam os líderes de instituições públicas ou privadas, que são locomotivas do planeta, salvar o meio ambiente”, afirmou Helder Barbalho. Para ele, as ações de proteção e recuperação da natureza precisam incluir a população da Amazônia, que sofre as consequências da degradação ambiental (Veja mais na pg 2).
COP15 DE ESPÉCIES MIGRATÓRIAS SILVESTRES SERÁ NO BRASIL EM 2026
AGÊNCIA BRASIL – O Brasil vai liderar mais um fórum global das Nações Unidas, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Será a 15ª Conferência da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), de 23 a 29 de março de 2026.
No encontro, líderes e chefes de Estado debatem a revisão do tratado global sobre conservação da vida selvagem e dos habitats, além de novas propostas para melhoria da conectividade ecológica e enfrentamento às ameaças de extinção de espécies migratórias como baleias, tubarões, arraias, peixes de água doce, tartarugas pássaros e muitos outros.
Segundo a secretária-executiva da convenção, do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), Amy Fraenkel, a escolha de um país tão biodiverso como o Brasil, especial a cidade de Campo Grande, é uma oportunidade para fortalecer a cooperação internacional e adotar medidas transformadoras. “Animais migratórios conectam o planeta, cruzando continentes, oceanos e céus em jornadas incríveis a cada ano, mas eles estão enfrentando pressões sem precedentes”, destacou.
O risco imposto pela urgência climática à vida selvagem também representa uma ameaça ao funcionamento de ecossistemas, já que as espécies migratórias são indicadores de saúde ambiental.
Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Marina Silva, ter o Pantanal como cenário para esse diálogo internacional reforça o compromisso do Brasil com a proteção da biodiversidade. “Neste contexto de grande instabilidade no multilateralismo, reafirmo a forte intenção do Brasil de construir um futuro sustentável, justo e inclusivo, e apelo a todos para que façam da COP15 no Pantanal um evento de sucesso”, declarou após o anúncio oficial, na quarta-feira (26).
O Brasil integra a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS, na sigla em inglês) desde 2015. Em nota divulgada pelo secretariado da convenção após o anúncio, o Pnud reconhece os avanços alcançados pelo Brasil na salvaguarda de sua excepcional biodiversidade migratória por meio da colaboração com acordos internacionais de conservação e rigorosas políticas domésticas.
“As espécies [em perigo de extinção] do Apêndice I do CMS, das quais o Brasil é um estado de distribuição, se beneficiam da extensa rede de conservação do Brasil e da cooperação regional proativa sob a estrutura do CMS”, destaca.
Para o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, a escolha de Campo Grande representa o reconhecimento internacional da importância vital do Pantanal para o planeta e também um poderoso chamado à ação.
“É um apelo urgente à consciência coletiva em defesa da vida e da natureza, que nos envia sinais claros sobre os imensos desafios ambientais que enfrentamos”, diz.
O fórum ocorrerá alguns meses após a COP30, prevista para novembro de 2025, em Belém (PA), na Amazônia. A secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, vê como positivo o prolongamento do diálogo global com a realização de duas COPs em um espaço curto de tempo. “A biodiversidade e as espécies migratórias dependem da ação coletiva dos países e o Pantanal será o cenário ideal para reforçar essa cooperação”, conclui.
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