Durante o primeiro dia da COP30, nesta segunda-feira (10), o governo brasileiro inaugurou o Pavilhão do Brasil, localizado na Blue Zone da conferência, em Belém (PA). O espaço abrigará mais de 140 painéis e debates voltados à implementação de ações climáticas, reunindo representantes de diferentes setores da sociedade.
A cerimônia contou com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, do presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, da secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e da campeã de Juventude da COP30, Marcele Oliveira.
Marina Silva destacou que esta deve ser a “COP da Implementação”, expressão reforçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a abertura do evento. “Depois de 33 anos de negociações, ainda falta implementar o que foi decidido. Vivemos uma emergência climática, e esta deve ser a ‘pororoca da implementação’, com todos — governos, empresas e sociedade — atuando juntos”, afirmou a ministra.
A titular do Meio Ambiente também lembrou que a conferência deste ano ocorre em um contexto de aumento de eventos extremos, como enchentes, secas e ondas de calor, e ressaltou a necessidade de uma transição energética justa. Segundo ela, “não há implementação sem financiamento”, e o Tropical Forest Fund (TFF), proposto pelo Brasil, busca ampliar o apoio a países com florestas tropicais, combinando recursos públicos e privados.
“COP da democracia e da participação social”
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, afirmou que esta será a COP “da democracia e da participação social”, destacando o protagonismo de mulheres, jovens, povos indígenas, agricultores e moradores das periferias urbanas.
Guajajara anunciou que, pela primeira vez, uma COP conta com mais de 400 indígenas credenciados na Zona Azul, além da criação da Aldeia COP, estrutura montada na Universidade Federal do Pará (UFPA) para abrigar cerca de 3 mil indígenas. “É mais do que um espaço físico — é um lugar de debate, encontro e conexão espiritual”, disse.
A ministra também lembrou que o Brasil voltou a ocupar um papel ativo nas discussões climáticas após seis anos sem representação governamental. “De 2016 a 2022, o pavilhão ficou vazio. Hoje, voltamos com força e diversidade, enfrentando o negacionismo climático e democrático.”
Desafios e articulação diplomática
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirmou que o evento na Amazônia tem caráter simbólico e estratégico. “O presidente Lula decidiu que esta COP seria realizada na Amazônia, trazendo para a região pessoas que normalmente não a conhecem. É uma oportunidade única para o mundo entender a complexidade e o papel do Brasil nas soluções climáticas”, disse.
Corrêa do Lago destacou que os debates da conferência buscam integrar as agendas de clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável. “Precisamos inserir o tema climático no centro das decisões econômicas e sociais”, afirmou.
Juventude e ética no debate climático
A campeã de Juventude da COP30, Marcele Oliveira, ressaltou a importância da participação das novas gerações nas negociações. “Falar de clima é falar de vida. Precisamos garantir que jovens estejam em todos os espaços de decisão”, disse.
Ela também destacou a relevância do Balanço Ético Global, iniciativa brasileira que discute princípios de ética nas negociações climáticas, com coordenação do Ministério do Meio Ambiente e do Itamaraty.
Estrutura e objetivos do Pavilhão Brasil
Com auditórios batizados de Samaúma e Cumaru, o Pavilhão do Brasil sediará painéis sobre financiamento climático, bioeconomia, mitigação e adaptação às mudanças do clima. O espaço é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e do Clima, em parceria com o Itamaraty e apoio de instituições como Banco do Brasil, BNDES, Caixa, Itaipu, Sebrae e Banco da Amazônia.
Segundo o governo, o pavilhão busca fortalecer o diálogo entre diferentes setores e promover soluções baseadas na natureza, com foco em produção sustentável, inovação tecnológica e cooperação internacional.
A secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que o espaço foi preparado para apoiar o processo de negociação internacional. “Foi um grande desafio estruturar uma COP na Amazônia, mas conseguimos. Agora, cabe às delegações transformar essa mobilização em resultados concretos.”
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