Lucas Contente e Lucas Quirino – A entrada da Blue Zone da COP30 voltou a receber reforço no esquema de segurança nesta sexta-feira (14), após um novo protesto de indígenas, dessa vez do povo Munduruku, que interrompeu o acesso ao espaço onde ocorrem as negociações oficiais da conferência do clima, em Belém.
O bloqueio afetou a passagem de observadores, chefes de Estado e profissionais de imprensa. Com isso, as forças de segurança ampliaram o efetivo na Avenida Brigadeiro Protásio, via que concentra um dos principais acessos ao local.





Além de agentes das Polícias Civil e Militar, equipes do Exército passaram a atuar no entorno. Durante a manhã a cavalaria da Polícia Militar também foi posicionada na região.
Ao entrar pelo primeiro portão de acesso, era possível observar forças especiais, infantaria de choque e integrantes da Força Nacional, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Reunião entre Munduruku e autoridades da COP30
Horas após o protesto, lideranças Munduruku participaram de uma reunião no espaço oficial da conferência com o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e as ministras Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente).
O grupo caminhou até a Blue Zone para entregar documentos e cobrar respostas sobre demarcações de terras e obras de infraestrutura que afetam seus territórios.
Corrêa do Lago afirmou que as lideranças apresentaram “preocupações fortes e legítimas” e informou que dois documentos foram recebidos e encaminhados às áreas responsáveis.
Demarcações e processos em andamento
A ministra Sônia Guajajara explicou que um dos territórios reivindicados pelos Munduruku já teve o processo de demarcação assinado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e está na Funai para execução da etapa física. Outro processo aguarda portaria declaratória do Ministério da Justiça. “Vamos seguir avançando nesses processos ainda este ano”, disse.
Marina Silva informou que a desintrusão da Terra Indígena Munduruku permanece em andamento, com ações de fiscalização realizadas por Ibama e órgãos parceiros. Ela também tratou de temas como a Ferrogrão e concessões de hidrovias. Segundo Marina, não há pedido de licenciamento da Ferrogrão no Ibama, e o processo segue judicializado.
Participação indígena e demandas por consulta
As lideranças Munduruku também questionaram o processo de credenciamento indígena na COP30. Guajajara afirmou que 360 indígenas foram credenciados para a Blue Zone, sendo 150 da Amazônia, o maior número registrado em conferências do clima.
Alessandra Korap, representante Munduruku, reforçou a necessidade de consulta prévia sobre projetos que podem atingir o território. Ela destacou que o grupo espera uma reunião direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar das reivindicações.
Mais um protesto
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