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domingo, março 8, 2026

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Acessibilidade e inclusão na COP30: entenda como funciona e ter acesso ao serviço

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Lucas Quirino/DOL – Em meio à grandiosidade da COP30 (Conferência das Partes da Convenção‑Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que reúne milhares de pessoas de diferentes partes do mundo em Belém (PA), um setor essencial garante que ninguém fique de fora das discussões sobre o futuro do planeta: a equipe de acessibilidade. No evento, a inclusão também é uma pauta central — não apenas nas mesas de debate, mas na prática, no cuidado com cada participante.

A equipe é formada por duas coordenadoras e cinco assessores distribuídos pelos espaços da conferência. Um deles é a pesquisadora Lianne Pimenta, doutoranda em Ciências Ambientais pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), que atua como assessora de acessibilidade. Ela explica que o trabalho começou ainda antes da Cúpula de Líderes, fase preparatória da conferência, e envolve desde o empréstimo de equipamentos até o acompanhamento individual de participantes com deficiência ou mobilidade reduzida.

“Estamos responsáveis por todo o suporte de acessibilidade. Fazemos o empréstimo de cadeiras de rodas, abafadores para pessoas neurodivergentes, óculos de proteção visual para pessoas fotossensíveis e prestamos informações de acesso, inclusive de pontos externos até dentro do evento”, detalha Lianne.

Assessora de Acessibilidade da COP 30. Foto: Andressa Ferreira/DOL

ENTENDA COMO FUNCIONA E TER ACESSO AO SERVIÇO

O serviço funciona de forma simples: o participante que precisar de algum tipo de suporte deve se dirigir ao balcão de acessibilidade, informar a necessidade e preencher um formulário de controle. Em caso de necessidade de algum tipo de equipamento, por exemplo, o mesmo é emprestado durante o dia e devolvido ao final. “Se a pessoa tiver mobilidade reduzida, existe um ponto de embarque e desembarque no estacionamento do Tribunal de Justiça, de onde ela pode ser conduzida até o local do evento”, explica.

“Como não temos um staff tão grande, não conseguimos dedicar um voluntário exclusivo para cada participante, mas garantimos que todos cheguem aos locais de reunião e tenham o apoio necessário”, completa a assessora de acessibilidade.


Mais do que uma questão de estrutura, Lianne ressalta o valor humano do trabalho. “A gente está aqui para fazer o melhor com os recursos que temos. É importante prestar atenção nas pessoas que precisam, porque o próximo não está longe — muitas vezes é a gente mesmo”, afirma ela, que também utiliza abafadores sensoriais e vê na própria experiência uma motivação para atuar nessa frente.

Para a assessora, a presença de um setor voltado à acessibilidade dentro de um evento global como a COP30 é um marco simbólico e prático.

“Mostra que pessoas com deficiência, mesmo com limitações, têm toda a possibilidade de participar e devem participar. O planeta não é só de quem não é deficiente — o planeta é de todo mundo”, destaca.

Equipe de acessibilidade preparada para atender os visitantes e participantes da COP 30. Foto: Andressa Ferreira/DOL.

Ao refletir sobre o legado que a COP30 pretende deixar, Lianne defende que a inclusão precisa ser parte estrutural de qualquer grande evento internacional. “As mudanças climáticas afetam a todos, mas as pessoas com deficiência muitas vezes sentem os impactos de forma ainda mais intensa. A questão do saneamento, da mobilidade, do acesso — tudo isso está conectado. Precisamos olhar para o próximo, sempre”, conclui.

Com ações como essa, a COP30 não apenas discute o futuro sustentável do planeta, mas reafirma que a sustentabilidade também é social — e começa pela inclusão de todos os corpos e vozes.

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