Agência Pará – O Porto Futuro II é uma das obras que ficarão como legado da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP 30, que acontece em novembro na capital paraense, Belém. O projeto procura restaurar e revitalizar o espaço que antes abrigava as atividades portuárias na capital. As obras estão em ritmo avançado, com 75% já concluídas.
Inaugurado em 2 de outubro de 1909, com 120 metros de cais e o primeiro armazém, o local foi concluído quatro anos depois, em 1913, com 15 armazéns e 1.860 metros de cais acostável. Na época da inauguração, predominavam na capital o comércio e a exportação da borracha. A partir dos anos 1970, iniciou-se a exportação de cargas como o trigo. O espaço tem mais de 100 anos de existência.
O processo de restauro do Porto Futuro II, localizado na Avenida Marechal Hermes, está passando por diversas etapas realizadas de forma detalhada, com a supervisão de uma equipe que conta com mais de 400 profissionais técnicos, entre técnicos, engenheiros, arquitetos e especialistas.
A aprovação dos órgãos de fiscalização, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Dphac), também é parte essencial no processo de confecção e execução do projeto.
“Nesse projeto, a maioria das estruturas metálicas dos armazéns passou por processo de restauração e outras foram substituídas. Foi feito um mapeamento a laser para identificar as peças que tinham condições de serem preservadas e as que não tinham. É necessário o conhecimento das teorias de restauro para dar andamento às obras, já que, nesses casos, não podemos criar um ‘falso histórico’”, explica o arquiteto Rodolfo Castro, diretor do Departamento de Projetos da Secretaria de Estado de Cultura (Secult).
Segundo Cesare Brandi, importante teórico do restauro, o “falso histórico” acontece quando se imita um estilo antigo sem base documental precisa. Isso compromete a veracidade da obra e sua história.
No caso das obras do Porto Futuro II, o falso histórico foi evitado por meio da distinção, observada nas cores utilizadas nos armazéns. “As peças com tom de vermelho mais claro são as peças originais do local, enquanto as pintadas com vermelho mais escuro indicam as estruturas que foram substituídas ou adicionadas durante a obra”, detalha o arquiteto e diretor da Secult.
A etapa de restauração das estruturas metálicas já foi concluída, e ocorre atualmente a instalação da pele de vidro dos armazéns.
Memória – Os guindastes característicos da região também passam por processo de restauro. No total, são sete, entre eles um de maior porte, que servirá como mirante para o público após a COP 30, além dos demais, que irão compor o espaço e contribuir para contar a história do local.
Até o piso do local passará por restauração, na última etapa antes da entrega. Os paralelepípedos, característicos da época em que o porto foi construído, serão retirados, restaurados e recolocados para compor um cenário o mais verossímil possível.
Anteriormente administrado pela Companhia Docas do Pará (CDP), o local foi cedido ao Governo do Estado para abrigar, em seus armazéns históricos, novos espaços e também remontar o passado, por meio do Museu da Navegação, que será incorporado ao complexo. A obra é gerenciada pela Secult.
“A cidade de Belém é marcada por sua relação com os rios, que cercam a nossa capital e são fundamentais para a vida e a cultura de seus habitantes. Essa conexão ribeirinha tem raízes profundas em nossa ancestralidade, e é justamente com esse legado que o projeto Porto Futuro II dialoga”, destaca Ursula Vidal, titular da pasta.
Além disso, a secretária ressalta que o Porto Futuro II será uma das maiores áreas portuárias turísticas do Brasil. “Isso simboliza o nosso compromisso com o progresso, valorizando nossas memórias. O Pará está cumprindo seu ‘dever de casa’ ao investir em novos setores econômicos que impactarão positivamente os indicadores sociais do estado”, frisa Ursula Vidal.
Equipamento – O complexo contará com cinco empreendimentos, em uma espécie de “condomínio”: o Museu das Amazônias, no Armazém 4A; o Centro Gastronômico, no Armazém 4; o Parque de Bioeconomia, nos Armazéns 5 e 6; e a Caixa Cultural, administrada pela Caixa Econômica Federal. Quiosques, um espaço de convivência interno com playground e uma fonte de água interativa também fazem parte do planejamento.
O Museu das Amazônias será administrado pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), responsável por museus como o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O local contará com exposições inéditas.
Para incentivar a economia local e amazônica, o Parque de Bioeconomia terá dois espaços onde empreendedores poderão desenvolver suas ideias de negócio e comercializá-las posteriormente.
O espaço Caixa Cultural, já presente em outros Estados do Brasil, será dedicado a exposições, galerias de arte, teatro e iniciativas culturais. A Caixa Cultural de Belém será a primeira da região Norte.
Parque da Cidade – Além do Porto Futuro II, o Parque da Cidade, localizado na avenida Júlio César, também está com as obras avançadas. O espaço, que será o palco da COP 30, já conta com 75% das obras concluídas da fase COP, seguindo o cronograma previsto para entrega em novembro de 2025.
O local conta com uma vasta área de vegetação, composta, em sua maioria, por espécies regionais transplantadas, somando 2.500 espécimes arbóreos que serão entregues na primeira fase do projeto, em novembro. Vale destacar também, que o espaço contará com equipamentos como os complexos de Economia Criativa e de Gastronomia, além de quadras, áreas de lazer e convivência.
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