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terça-feira, abril 23, 2024
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Argentina vai importar alimentos para baixar preços

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Em meio a uma explosão de preços que já dura três meses e faz as famílias cortarem itens da lista do mercado, o governo de Javier Milei anunciou nesta terça (12) que vai abrir as importações de alimentos e outros produtos da cesta básica na Argentina e retirar alguns de seus impostos.”O ministro [da Economia] Luis Caputo se reuniu com empresários de supermercados nesta segunda [11] para conversar sobre a evolução da inflação e, nessa reunião, eles reconheceram que houve um aumento de preços acima da expectativa da inflação”, disse o porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni, em sua entrevista coletiva diária.CONTEÚDO RELACIONADO:Milei revoga decreto sobre nepotismo e nomeia irmãArgentina dificulta compra de dólar após posse de MileiNos dois primeiros meses da gestão de Milei, os preços subiram mais de 20% por mês, com fortes remarcações em comidas e bebidas, o que deve fazer o país atingir o maior nível anual do mundo em 2024.Isso porque, quando assumiu, o ultraliberal promoveu uma desvalorização do peso e retirou os congelamentos impostos pelo peronista Alberto Fernández. Agora, espera-se uma desaceleração para cerca de 15% no índice de fevereiro, que será divulgado na tarde desta terça pelo Indec, o IBGE argentino.Quer mais notícias do mundo? Acesse nosso canal no WhatsApp!Segundo Adorni, os empresários “haviam avaliado um cenário catastrófico que não ocorreu”, apesar do grande impacto que os últimos meses tiveram no bolso dos argentinos. O governo agora espera uma acomodação dos preços, e pretende acelerar isso com a liberação de importações.”Se tomou a decisão de abrir definitivamente as importações de determinados produtos da cesta básica, com o objetivo de tornar os preços mais competitivos em benefício das famílias e consumidores argentinos. E também certa retirada de impostos nesses produtos importados para ajudar a correção de preços”, anunciou.A Casa Rosada ainda não divulgou quais itens serão liberados e disse que dará mais detalhes em breve. Segundo o Indec, a cesta básica argentina inclui produtos como farinha de trigo, arroz, macarrão, carne picada, frango, leite em pó e ovo, assim como detergente e água sanitária.IMPORTAÇÕESEm dezembro, Milei já havia anunciado a extinção do sistema de importações argentino chamado Sira, que antes exigia a autorização prévia do governo para compras internacionais, na intenção de evitar a fuga de dólares do país. O novo presidente o substituiu por um sistema automatizado, sem interferência do Estado.Nesta segunda, o Banco Central -que na Argentina é fortemente ligado ao governo- também baixou a taxa de juros de 110% para 80% anuais, afirmando que “desde dezembro a conjuntura econômica apresenta sinais visíveis de redução da incerteza macroeconômica”.O órgão também revogou a taxa mínima de 110% anuais (9% mensais) que os bancos eram obrigados a oferecer a quem fazia depósitos a prazo fixo.SEM PROGRAMAS SOCIAISNa entrevista desta terça, Adorni foi questionado sobre a situação das famílias de classe média, um dos setores que mais estão sofrendo com a subida de preços no país, já que não contam com a ajuda de programas sociais. Na cidade de Buenos Aires, é preciso uma renda mensal de 1 milhão de pesos (R$ 5.000) para fazer parte desse grupo.O ministro se esquivou. “Não tenho muito mais para dizer do que repetir o que digo todos os dias sobre o mal momento que estamos vivendo todos os argentinos com o objetivo de tentar normalizar esse país”, respondeu.O porta-voz também afirmou que o governo “iniciou ações diplomáticas” contra o governo do ditador Nicolás Maduro na Venezuela, que impediu o tráfego aéreo em seu país por qualquer aeronave argentina.”Isso faz parte de uma retaliação pelo fato de o governo argentino ter aceitado a ordem de confisco da Justiça dos Estados Unidos para o Boeing 747, vinculado à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. A Argentina não vai se deixar extorquir pelos amigos do terrorismo”, afirmou.

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