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quinta-feira, março 12, 2026

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'Careca do INSS' teria movimentado R$ 12 milhões em 129 dias

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A Polícia Federal prendeu Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, em uma operação realizada na sexta-feira (12) que investigou um complexo esquema de fraudes no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

A investigação revelou que o suspeito teria movimentado mais de R$ 12 milhões em apenas 129 dias, período equivalente a pouco mais de quatro meses. Antônio Carlos Camilo Antunes é suspeito de atuar como operador principal em um esquema de fraudes que envolvia o desvio sistemático de aposentadorias e pensões do INSS.

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Segundo a investigação da Polícia Federal, o prejuízo causado pelo esquema pode ter alcançado até R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024. A operação indica também que Antunes supostamente pagava propina a servidores do INSS para obter dados cadastrais de aposentados e pensionistas.

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Posteriormente, ele repassaria essas informações confidenciais para associações que, sem qualquer autorização dos beneficiários, cadastrariam os segurados e realizavam descontos ilegais diretamente em suas aposentadorias.

Como funcionava o esquema?

De acordo com informações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), o modus operandi do esquema envolvia múltiplas práticas criminosas organizadas de forma sistemática.

Corrupção de servidores

As entidades investigadas ofereceriam pagamentos de propina a funcionários do INSS para garantir acesso privilegiado aos dados dos beneficiários da previdência social. Esses servidores teriam, então, facilitado a inserção dos descontos nos contracheques dos aposentados em troca de vantagens indevidas.

Associações de fachada

O esquema utilizava associações de fachada, frequentemente presididas por idosos ou pessoas de baixa renda, para legitimar as operações fraudulentas. Essas entidades cadastravam aposentados e pensionistas sem o conhecimento ou autorização das vítimas, realizando descontos diretos na folha de pagamento.

Falsificação de documentos

A investigação descobriu o uso sistemático de assinaturas falsas para autorizar os descontos. Em muitos casos, aposentados foram filiados a mais de uma entidade no mesmo dia, com erros de grafia idênticos nas fichas de cadastro, evidenciando a natureza fraudulenta das operações.

Outras prisões e desdobramentos da operação

Além do “Careca do INSS”, a Polícia Federal também prendeu o empresário Maurício Camisotti, suspeito de ser sócio oculto de uma das entidades envolvidas nas fraudes. Camisotti foi detido em São Paulo, e sua defesa contestou a prisão, ao alegar arbitrariedade durante a ação policial.

A defesa de Camisotti destacou que o empresário teve seu celular retirado enquanto conversava com seu advogado, situação que, segundo os advogados de defesa, afronta garantias constitucionais fundamentais.

Apreensão de bens de luxo

A operação resultou na apreensão de diversos bens de luxo que demonstram a magnitude dos valores desviados. Entre os itens apreendidos estão:

  • Carros de marcas renomadas como Ferrari, Land Rover, Porsche e Mercedes;
  • Esculturas eróticas de alto valor;
  • Quadros de artistas famosos brasileiros, incluindo obras de Portinari e Di Cavalcanti.

Esses bens foram encontrados em endereços relacionados aos investigados e representam parte do patrimônio acumulado com os recursos desviados do sistema previdenciário.

Impactos no sistema previdenciário

O caso expôs vulnerabilidades no sistema de seguridade social brasileiro e suas consequências já se fizeram sentir na estrutura do INSS. A demissão do então presidente do Instituto, Alessandro Stefanutto, em abril, aconteceu após a revelação das fraudes, indicando a gravidade e o alcance da situação.

A investigação teve início em 2023 na Controladoria-Geral da União e ganhou novos contornos em 2024, quando a Polícia Federal foi oficialmente acionada após a descoberta de indícios criminais mais robustos.

Defesas dos envolvidos

As defesas dos investigados, incluindo a do advogado Nelson Wilians, que teve seu escritório alvo de busca e apreensão, afirmaram colaboração com as autoridades.

A defesa de Wilians destacou que sua relação com os investigados é estritamente profissional e legal, e que os valores por ele movimentados referem-se a transações lícitas.

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